Vorcaro volta a acenar com proposta de delação em depoimento à PF
O banqueiro Daniel Vorcaro prestou um depoimento de cerca de quatro horas nesta sexta-feira (28) à PF (Polícia Federal) e aproveitou a oportunidade para sinalizar interesse em fechar um acordo de colaboração premiada. É a terceira tentativa do ex-banqueiro nesse sentido.

Em nota enviada à imprensa depois do depoimento, os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski, defensores do ex-banqueiro, ressaltaram que o cliente pode prestar esclarecimentos “mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”.
Bialski, advogado com experiência em casos de colaboração premiada, passou a integrar recentemente a equipe de defesa liderada por Sérgio Leonardo com o objetivo de reconstruir a relação com o ministro André Mendonça, do STF.
O vínculo teria sido abalado no período em que a defesa esteve sob o comando do advogado José Luiz de Oliveira Lima, o Juca. O antigo defensor teria tido atritos com o ministro. Uma das premissas nas conversas entre a família Vorcaro e o novo advogado é a busca por transparência total na relação com as instituições. Caso a negociação seja reaberta, a expectativa é de que ocorra simultaneamente com a PF e com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
A PF, no entanto, já rejeitou duas propostas anteriores da defesa. Os investigadores consideraram que os anexos entregues por Vorcaro careciam de provas e eram “insuficientes” para trazer elementos novos às apurações. A avaliação é compartilhada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
O depoimento de Vorcaro na sexta-feira foi realizado por videoconferência a partir da carceragem da Papudinha, no Distrito Federal, onde Vorcaro está detido. A oitiva integra o inquérito que apura a atuação de dois ex-funcionários do BC (Banco Central) suspeitos de favorecer o Master em troca de vantagens financeiras.
Os investigadores buscam apurar se o ex-banqueiro se valeu dos servidores, que teriam atuado como uma espécie de “espiões” do banqueiro na instituição, para obter informações privilegiadas.
Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele respondeu a todas as perguntas “de forma clara e consistente”, sem deixar “qualquer indagação sem esclarecimento”, e que ficou demonstrado que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação. Foi a primeira vez que ele falou formalmente aos investigadores desde que foi preso pela segunda vez, em março.
Obstáculos nas tentativas anteriores
Como mostrou a CNN, fontes da PGR e da PF apontam três pontos que travaram as negociações até agora. O primeiro é a exigência de que Vorcaro assuma os crimes, algo que, segundo essas fontes, a cúpula da PGR considerou não ter ocorrido. Os procuradores teriam ficado “irritadíssimos”.
O segundo obstáculo envolve o dinheiro: as investigações questionam o montante a ser devolvido e o paradeiro dos recursos desviados na fraude do Master, estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões.
Já o terceiro ponto é a falta de novidades factuais. A PF reclama que as informações apresentadas por Vorcaro até agora já constam nos mais de dez celulares apreendidos durante as investigações. Segundo essa avaliação, “precisa avançar, precisa trazer fatos inéditos”.
Por CNN




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