Produção de leite no Brasil bate recorde histórico, mas Mato Grosso registra menor captação desde 2006

Enquanto o país amplia a produção com ganhos de produtividade, setor leiteiro mato-grossense enfrenta redução do volume captado, saída de produtores e aumento dos custos de alimentação do rebanho.

A produção brasileira de leite alcançou um novo recorde em 2025, totalizando 36,68 bilhões de litros, crescimento de 2,63% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço nacional, Mato Grosso segue na contramão desse movimento, com redução na produção e na captação, reflexo das dificuldades enfrentadas pelos produtores e da diminuição do número de animais em atividade.

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De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume produzido no país foi o maior da série histórica. O resultado chama a atenção porque ocorreu simultaneamente à redução do rebanho leiteiro. Em 2025, o Brasil contabilizou 14,68 milhões de vacas ordenhadas, queda de 2,98% na comparação anual e o menor contingente desde 1979.

O crescimento da produção, mesmo com menos animais, foi sustentado principalmente pelos ganhos de produtividade. A média nacional atingiu 2.498,69 litros por vaca, aumento de 5,79% em relação a 2024. A evolução genética, os investimentos em tecnologia e a maior tecnificação das propriedades têm contribuído para melhorar o desempenho da atividade leiteira.

Mato Grosso registra retração na atividade leiteira

Em Mato Grosso, o cenário é de maior dificuldade. Segundo o levantamento do IBGE, o estado produziu 403,96 milhões de litros de leite em 2025, recuo de 6,59% em relação ao ano anterior. O número de vacas ordenhadas também apresentou redução, totalizando 246,56 mil cabeças, queda de 6,24%, o menor volume dos últimos 28 anos.

A retração está relacionada principalmente à saída de produtores da atividade, motivada pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos insumos utilizados na alimentação do rebanho.

Os dados mais recentes da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL), também do IBGE, reforçam esse cenário. No primeiro semestre de 2026, a captação nacional alcançou 13,40 bilhões de litros, crescimento de 1,86% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A região Sul concentrou 41,59% do volume captado no país, enquanto Minas Gerais permaneceu na liderança entre os estados, com 3,24 bilhões de litros. Em contrapartida, Mato Grosso registrou queda de 11,45%, somando apenas 166,36 milhões de litros, o menor resultado histórico para o período desde 2006.

Além das dificuldades estruturais enfrentadas pelos produtores, o encerramento das operações de um importante laticínio na região oeste do estado contribuiu diretamente para a redução da captação no primeiro semestre.

Chuvas renovam expectativas para o segundo semestre

Apesar dos resultados negativos, o setor leiteiro mato-grossense apresenta perspectivas de recuperação para a segunda metade de 2026. As chuvas pontuais registradas em setembro trouxeram maior otimismo aos produtores, principalmente pela possibilidade de recuperação gradual das pastagens.

A melhora das condições das áreas de alimentação pode favorecer a oferta de forragem e reduzir a necessidade de suplementação, contribuindo para aliviar os custos de produção. Com isso, a expectativa é de aumento da captação estadual no segundo semestre, conforme a recuperação das condições produtivas das propriedades.

O comportamento climático nos próximos meses será determinante para confirmar essa tendência, especialmente porque a alimentação representa uma parcela importante dos custos da atividade leiteira.

Relação de troca melhora, mas mercado apresenta movimentos distintos

No mercado, os indicadores de agosto de 2026 apontaram movimentos diferentes para os preços dos produtos lácteos e o poder de compra do produtor.

Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a relação de troca entre leite e farelo de soja avançou 13,36% em comparação com julho, alcançando 881,27 litros por tonelada em agosto. O movimento foi influenciado pela maior valorização do coproduto no período, indicando uma perda de poder de compra do leite em relação ao insumo.

O preço médio do leite captado em Mato Grosso chegou a R$ 2,39 por litro em agosto, enquanto a média nacional, segundo o Cepea, foi de R$ 2,89 por litro.

Entre os derivados, a muçarela industrial apresentou valorização de 1,75%, sendo comercializada a R$ 34,29 por quilo. Já a manteiga industrial registrou forte retração, de 24,87%, com preço médio de R$ 22,30 por quilo.

A relação de troca entre leite e milho também apresentou melhora, passando para 20,25 litros por saca, enquanto a relação com ureia ficou em 1.535,69 litros por tonelada.

Produtividade e recuperação das pastagens serão decisivas

O cenário da pecuária leiteira brasileira evidencia uma transformação no setor, com aumento da produção sustentado por ganhos de produtividade, mesmo diante da redução do número de animais. Entretanto, em Mato Grosso, a diminuição do rebanho, a saída de produtores e as dificuldades relacionadas aos custos de produção continuam pressionando a atividade.

Para o segundo semestre de 2026, a recuperação das pastagens e a redução da necessidade de suplementação aparecem como fatores importantes para melhorar as condições de produção. A expectativa de retomada da captação representa um sinal positivo para a cadeia leiteira estadual, embora a consolidação dessa recuperação dependa das condições climáticas, da rentabilidade das propriedades e da capacidade de manutenção dos produtores na atividade.

Por RBT News

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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