VBP de Mato Grosso deve atingir recorde histórico de R$ 220,53 bilhões em 2026
Estimativa do Imea aponta crescimento de 3,23% no valor bruto da produção agropecuária, impulsionado principalmente pelo milho e pela bovinocultura de corte.
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Mato Grosso deve alcançar R$ 220,53 bilhões em 2026, estabelecendo um novo recorde na série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A projeção representa crescimento de 3,23% em relação à oitava estimativa de 2025, quando o indicador foi calculado em R$ 213,63 bilhões.

De acordo com a quarta estimativa divulgada pelo Instituto, o resultado positivo deverá ser sustentado pelo desempenho dos dois principais segmentos do agronegócio estadual. A agricultura apresenta previsão de crescimento de 2,61%, enquanto a pecuária deve avançar 5,51% na comparação anual.
A agricultura continuará concentrando a maior participação no VBP mato-grossense, representando 78,13% do valor total projetado para 2026. Já a pecuária responderá por 21,87%, reforçando sua importância na composição da economia agropecuária estadual.
Milho lidera contribuição para o crescimento
Entre as principais cadeias produtivas, o milho deverá apresentar a maior contribuição para o resultado, com VBP estimado em R$ 45,28 bilhões, crescimento de 10,32% em relação ao levantamento anterior.
O desempenho está associado ao aumento da produção, impulsionado pela ampliação da área cultivada e pelos ganhos de produtividade. Além disso, a valorização dos preços da commodity contribui para fortalecer o resultado econômico da cultura.
Outro fator importante é o aquecimento da demanda doméstica, especialmente diante da expansão da indústria de processamento de milho para a produção de etanol. O avanço desse segmento tem ampliado o mercado consumidor interno e fortalecido a participação do cereal na economia de Mato Grosso.
O cenário demonstra a crescente importância da industrialização agrícola para a geração de valor no estado, criando novas oportunidades de comercialização e agregação de renda à cadeia produtiva.
Bovinocultura de corte também impulsiona o VBP
Na pecuária, a bovinocultura de corte aparece como um dos principais destaques, com valor estimado em R$ 42,38 bilhões, alta de 7,58% na comparação anual.
O avanço deverá ser influenciado principalmente pela valorização dos preços da arroba do boi gordo, mesmo diante da redução no volume de animais abatidos.
Esse comportamento evidencia a influência dos preços de mercado sobre o desempenho econômico da atividade, permitindo que a cadeia registre crescimento no valor bruto mesmo sem expansão do volume de produção.
Com isso, milho e bovinocultura de corte se consolidam como importantes motores do resultado projetado para o agronegócio mato-grossense em 2026.
Nova legislação busca fortalecer o seguro rural
Além do desempenho das cadeias produtivas, mudanças no ambiente institucional também podem influenciar o planejamento do setor agropecuário.
Em 29 de setembro de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.526/2026, que aperfeiçoa o marco legal do seguro rural e estabelece alterações no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
O programa funciona como instrumento de apoio público aos produtores, subsidiando parte do valor do prêmio das apólices de seguro rural contratadas.
Entre as principais mudanças está a definição das despesas com subvenção como de execução obrigatória, respeitando o limite dos recursos previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A legislação também prevê a integração do seguro rural às garantias das operações de crédito rural e estabelece incentivos para operações seguradas.
A mudança ocorre em um cenário de preocupação com a disponibilidade de recursos para o programa. Em 2026, embora a Lei Orçamentária Anual (LOA) previsse R$ 1,02 bilhão para o PSR, R$ 461,70 milhões foram bloqueados em junho. Para 2027, a proposta orçamentária prevê R$ 1,20 bilhão.
Nesse contexto, a nova legislação busca ampliar a previsibilidade orçamentária e fortalecer os mecanismos de proteção financeira dos produtores diante dos riscos climáticos e produtivos.
Indicadores econômicos refletem cenário de atenção
No ambiente macroeconômico, setembro também foi marcado por movimentações nos principais indicadores acompanhados pelo Imea.
O dólar comercial, pela cotação média da PTAX, registrou R$ 5,14 em setembro de 2026, recuo de 0,16% em relação ao mês anterior. O comportamento da moeda foi influenciado pela sensibilidade do mercado às incertezas do cenário político brasileiro e à valorização global do petróleo.
Já a inflação brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), avançou 0,82% em setembro, acumulando alta de 4,58% em 12 meses. O resultado foi influenciado pelo aumento dos preços em todos os grupos de produtos e serviços.
Em Cuiabá, a cesta básica apresentou elevação ainda mais expressiva, com alta de 5,46% no mês, alcançando R$ 911,41. Entre os produtos que mais pressionaram o indicador, o tomate se destacou, com valorização de 53,76%.
No comércio exterior, Mato Grosso registrou exportações de US$ 2,12 bilhões em setembro, queda mensal de 12,65%. As importações somaram US$ 233,01 milhões, recuo de 8,94%, enquanto o saldo da balança comercial estadual ficou em US$ 1,89 bilhão.
Agronegócio mantém protagonismo na economia estadual
A projeção recorde de R$ 220,53 bilhões para o VBP demonstra a força e a capacidade de geração de riqueza do agronegócio mato-grossense. O crescimento simultâneo da agricultura e da pecuária reforça a importância da diversificação produtiva e da valorização das principais cadeias do estado.
O milho, impulsionado pela expansão da produção e pelo avanço da indústria de etanol, e a bovinocultura de corte, beneficiada pelos preços da arroba, aparecem como protagonistas desse desempenho.
Entretanto, fatores como oscilações cambiais, inflação, custos de produção e disponibilidade de instrumentos de proteção financeira continuam no radar dos produtores. Nesse cenário, o fortalecimento do seguro rural e a ampliação das oportunidades de industrialização serão importantes para sustentar a competitividade e o crescimento do setor nos próximos anos.
Por RBT News




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