Brasil deve alcançar novo recorde na produção de soja na safra 2026/27, aponta USDA
Produção nacional está estimada em 184 milhões de toneladas, enquanto Mato Grosso mantém ritmo de crescimento no esmagamento e projeta processamento de 13,81 milhões de toneladas.
O Brasil deverá registrar, pelo terceiro ano consecutivo, um recorde na produção de soja. A estimativa é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio de seu adido em Brasília, que projeta uma produção de 184 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 2% superior ao esperado para o ciclo anterior.
O avanço da produção brasileira deverá ser impulsionado principalmente pela expansão da área cultivada, estimada em 49,70 milhões de hectares, ante 49 milhões de hectares na safra 2025/26, crescimento de 1,40%. Entre as regiões que devem contribuir para esse movimento está o Matopiba, favorecido pela disponibilidade de terras e pelo potencial de ampliação da infraestrutura estratégica.
Apesar da perspectiva positiva, o desempenho das lavouras ainda dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo. A ocorrência do fenômeno El Niño representa um fator de atenção, principalmente pelos possíveis impactos no desenvolvimento das plantas e no andamento das operações de colheita no encerramento da temporada.
As projeções também apontam comportamentos distintos entre os principais estados produtores. Em Mato Grosso, o USDA estima redução da produtividade, enquanto o Rio Grande do Sul deverá apresentar rendimento superior ao registrado na safra anterior. A recuperação gaúcha poderá contribuir para sustentar o crescimento da produção nacional.
Dólar em alta influencia a paridade de exportação
No mercado, a semana foi marcada pela valorização do dólar frente ao real. A divisa norte-americana acumulou alta de 7,15%, movimento associado às incertezas do cenário político interno.
Em contrapartida, a soja disponível em Mato Grosso registrou leve desvalorização. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a cotação média encerrou a semana em R$ 133,78 por saca de 60 quilos, queda de 0,37% em relação à semana anterior, influenciada pelo recuo dos preços na Bolsa de Chicago (CME Group).
Já a paridade de exportação para março de 2027 apresentou valorização de 5,89% no período, refletindo principalmente o avanço do dólar. O indicador alcançou R$ 119,79 por saca.
O comportamento dos indicadores evidencia a influência conjunta do mercado internacional e do câmbio sobre a formação dos preços da soja brasileira, com reflexos diretos na competitividade das exportações e nas decisões de comercialização dos produtores.
Esmagamento de soja cresce em Mato Grosso
Além das perspectivas de produção recorde, Mato Grosso mantém trajetória de crescimento no processamento de soja. Até setembro de 2026, o estado acumulou 10,42 milhões de toneladas esmagadas, volume 4,74% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Somente em setembro, foram processadas 1,01 milhão de toneladas, recuo de 12,80% em relação a agosto. Segundo o Imea, a retração foi provocada principalmente pela paralisação programada de algumas indústrias para a realização de manutenções anuais.
Apesar da redução mensal, o resultado acumulado demonstra o fortalecimento da atividade industrial no estado. O movimento é sustentado pela maior demanda por matéria-prima das esmagadoras, em um cenário de safras volumosas e ampliação da procura pelos coprodutos da soja.
O farelo tem sido beneficiado pelo avanço das exportações, enquanto o óleo registra sustentação da demanda interna, especialmente em razão do consumo pelo setor de biodiesel.
Na avaliação das margens industriais, houve recuo de 1,01 ponto percentual em relação ao mesmo período da safra passada. No período analisado, o preço do farelo apresentou aumento de 2,48%, enquanto o óleo de soja registrou queda de 1,27%.
Para a safra 2026/27, a projeção do Imea é de que o esmagamento em Mato Grosso alcance 13,81 milhões de toneladas, reforçando a importância do estado não apenas na produção de grãos, mas também no processamento e no abastecimento dos mercados de farelo e óleo de soja.
Com perspectivas de novos recordes na produção brasileira e expansão da atividade industrial mato-grossense, a cadeia da soja deverá continuar desempenhando papel estratégico no agronegócio nacional. Entretanto, o clima, o comportamento do mercado internacional e as oscilações cambiais permanecem entre os principais fatores de atenção para o próximo ciclo.
Por RBT News




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