Anvisa fará análise mês a mês de lotes da Ypê fabricados antes de abril
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirma que fará uma análise mês a mês dos produtos da Ypê fabricados antes de abril para decidir se autoriza o uso de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes com final de lote “1”, que seguem suspensos.
Na última sexta-feira (29), na terceira versão de um comunicado no mesmo dia, a agência autorizou a retomada da produção em Amparo (SP) e a comercialização e uso dos itens fabricados a partir de 1º de abril de 2026.
Segundo o diretor Daniel Meirelles, que é responsável pelo setor de fiscalização da Anvisa, a agência aguarda a apresentação de novos laudos sobre os produtos para avaliar a produção anterior. “Pretendemos liberar por mês, para comunicar melhor para a população”, diz.
A Ypê se comprometeu a apresentar avaliações feitas por integrantes da Reblas (Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde), que são unidades públicas e privadas credenciadas pela Anvisa.
O diretor-executivo de Operações da Ypê, Eduardo Beira, diz que a expectativa da empresa é conseguir liberar para uso “o máximo possível” de lotes. “Temos nossos laudos internos, e à medida que a gente recebe as análises dos laboratórios da Reblas, fazemos a comparação. Mas se houver alguma não conformidade, vamos tomar providências.”
Beira afirma que a Ypê orienta o consumidor a esperar a análise dos novos laudos e guardar os produtos feitos antes de abril. Diz que também existe a opção de pedir o ressarcimento ou troca. Ele afirma que a Ypê triplicou a operação do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor).
A Ypê também decidiu mudar a forma de identificar os lotes.
Os produtos feitos em Amparo não terão mais o número 1, mas letras diferentes para cada uma das oito fábricas localizadas na cidade a 130 km de São Paulo.
No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca com a numeração final 1 de lote, fabricados em Amparo, sob argumento de que havia falhas no controle de qualidade.
O diretor Meirelles, da Anvisa, afirma que a decisão inicial de suspender os produtos e aquela tomada no último dia 29, de liberar a fábrica, foram tomadas pelas mesmas equipes da Anvisa e dos órgãos de vigilância de São Paulo e do município de Amparo.
Ele diz que não existe contradição entre as ordens da agência.
“De maneira nenhuma eu vejo um excesso. Vejo um processo regular sanitário, em que a gente já vem acompanhando a empresa há muito tempo, deu diversas oportunidades para a empresa se adequar. Não se adequou. Agora, felizmente é uma outra empresa”, declara o diretor.
Segundo Meirelles, que acompanhou a inspeção, a Ypê “mudou muito seus processos e agora, finalmente, ela se adequou numa realidade sanitária diferente”.
O diretor afirma que a visita anterior dos fiscais à empresa, no fim de abril, constatou 76 pontos que deveriam ser corrigidos, incluindo 14 de alto risco. Ele diz que “nem tudo foi resolvido”, mas que o plano de reestruturação está em andamento e que os maiores problemas já foram reparados, o que deu segurança para reabrir a fábrica.
No processo envolvendo a Ypê, a agência diz ainda que localizou mais de 140 lotes contaminados no estoque da empresa em Amparo na inspeção de abril. Meirelles afirma que não havia um processo apropriado de descarte, mas que não existe a confirmação de que os itens contaminados foram vendidos.
“Trabalhamos na vigilância sanitária com o princípio da precaução”, diz o diretor.
Segundo Meirelles, os laudos já apresentados sobre lotes de maio e abril não detectaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa, o que justificou a liberação para uso. A ausência da bactéria é condição para liberar os produtos.
A interdição dos lotes se tornou munição para campanha movida por líderes e militantes bolsonaristas em defesa da Ypê, com divulgação de teorias fantasiosas e ataques à direção da Anvisa.
As inspeções sanitárias feitas em Amparo em 2025 e 2026 foram desdobramentos de denúncias apresentadas à Anvisa e à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), do Ministério da Justiça, pela multinacional anglo-holandesa Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, como revelou a Folha.
Diretor da Ypê, Eduardo Beira afirma que não cabe à empresa julgar a forma como a Anvisa atua. “Uma vez que acontece esse tipo de de inspeção e vem o relatório de não conformidades, temos justamente de nos adequar para executar aquilo que a Anvisa recomendou. Foi exatamente isso que a gente fez.”
Ele afirma que a empresa mantém o plano de reestruturação do parque de Amparo, estimado em cerca de R$ 130 milhões. Sem citar a Unilever, ele também defende que haja “isonomia” na aplicação das regras da agência, com a aplicação dos mesmos “critérios de inspeção para todas as empresas que atuam no nosso segmento”.
Que produtos foram suspensos?
De acordo com a Anvisa, os produtos líquidos do lote que termina com o número 1, fabricados em Amparo antes de abril de 2026:
Lava-louças Ypê Clear Care
Lava-louças com enzimas ativas Ypê
Lava-louças Ypê Toque Suave
Lava-louças Concentrado Ypê Green
Lava-louças Ypê Clear
Lava-louças Ypê Green
Lava-roupas Tixan Ypê Combate Mau Odor
Tixan Ypê Cuida das Roupas
Lava-roupas Tixan Ypê Antibac
Lava-roupas Tixan Ypê Coco e Baunilha
Lava-roupas Tixan Ypê Green
Lava-roupas Ypê Express
Lava-roupas Ypê Power Act
Lava-roupas Ypê Premium
Lava-roupas Tixan Maciez
Lava-roupas Tixan Primavera
Desinfetante Bak Ypê
Desinfetante de uso geral Atol
Desinfetante perfumado Atol
Desinfetante Pinho Ypê
Lava-roupas Tixan Power Act
Atenção: a medida não inclui lava-roupas e louças em pó





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