“Os municípios não têm que ir a Brasília com o pires na mão”, diz Margareth Buzetti ao defender revisão do pacto federativo
Durante entrevista à rádio CBN, a senadora Margareth Buzetti fez duras críticas ao modelo atual de distribuição de recursos públicos no país e à relação entre o Congresso Nacional e o governo federal envolvendo o pagamento de emendas parlamentares.

A parlamentar afirmou que “abomina” o cenário político atual e classificou como “surreal” a dinâmica entre Executivo e Legislativo em torno das emendas impositivas e das chamadas emendas PIX.
“O que hoje a gente vê no Congresso Nacional, entre Executivo e Legislativo, é algo que eu abomino. É o Legislativo pedindo emendas, emendas impositivas, emenda PIX, emenda não sei o quê. Ok, chega no município essas emendas, mas é o Executivo fazendo chantagem com o Legislativo pra pagar emendas, e o Legislativo extorquindo e fazendo chantagem com o Executivo. Isso é surreal, gente. Isso tem que acabar”, declarou.
Buzetti também defendeu uma revisão do pacto federativo, argumentando que os municípios concentram grande parte das demandas da população, mas recebem poucos recursos em comparação ao volume arrecadado pela União.
“O pacto federativo tem que ser revisto. Não é possível. As coisas acontecem no município. E hoje o dinheiro é concentrado em Brasília”, afirmou.
Segundo a senadora, a elevada carga tributária não se traduz em investimentos suficientes nas cidades, o que, na avaliação dela, contribui para o desequilíbrio financeiro enfrentado por muitos municípios brasileiros.
“Os municípios estão todos quebrados. O município não tem que ir lá em Brasília com o pires na mão, pra não chamar de pinico na mão, pedindo pelo amor de Deus uma emenda aqui, uma emenda ali. Isso tá tudo errado”, disse.
As declarações da parlamentar ocorrem em meio ao debate nacional sobre a execução de emendas parlamentares e o papel do Congresso na destinação de recursos federais para estados e municípios. O tema tem gerado discussões entre representantes do Executivo, parlamentares e gestores municipais sobre transparência, autonomia financeira e a necessidade de mudanças na divisão das receitas públicas entre União, estados e municípios.
A fala de Margareth Buzetti repercutiu entre aliados e opositores, especialmente por tocar em um dos assuntos mais sensíveis do cenário político atual: a relação entre o governo federal e o Congresso na liberação de recursos orçamentários.




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