Soja em Mato Grosso avança com impulso externo, mas custos seguem no radar do produtor
A soja mato-grossense manteve a trajetória de valorização na terceira semana de agosto, impulsionada pelo cenário internacional e pelas incertezas em torno da safra norte-americana.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a saca da oleaginosa atingiu a máxima diária de R$ 128,95 e encerrou a semana, de 17 a 21 de agosto, com preço médio de R$ 127,85/sc, avanço de 3,19% em relação à semana anterior.

O movimento observado em Mato Grosso acompanhou a alta registrada no mercado internacional. Em Chicago, a soja fechou a semana com média de US$ 12,14/bu, valorização de 4,36% no comparativo semanal. Segundo o Imea, o avanço esteve associado às preocupações com as condições das lavouras nos Estados Unidos, diante do clima adverso.
O cenário ganhou ainda mais atenção após os indicadores de qualidade da safra norte-americana. O índice de lavouras classificadas entre boas e excelentes alcançou 60%, resultado 9 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra 2025/26. Além disso, levantamentos de campo apontaram rendimento inferior ao observado no ciclo anterior, ampliando as incertezas sobre o volume que estará disponível no mercado.
A demanda também ajudou a sustentar os preços. A forte procura chinesa pela soja norte-americana manteve o mercado aquecido em um momento de maior preocupação com a relação entre estoques e consumo. Com isso, o ambiente internacional continuou dando suporte às cotações da oleaginosa brasileira.
No mercado externo, outros fatores contribuíram para a formação dos preços. O prêmio de Santos encerrou a semana em 175 centavos de dólar por bushel, alta de 0,57%, enquanto o dólar teve valorização de 0,50%, com média de R$ 5,18. De acordo com o Imea, a moeda norte-americana refletiu a manutenção da aversão ao risco no mercado global e a cautela dos investidores em relação ao cenário fiscal brasileiro.
O óleo de soja também acompanhou o movimento de valorização. Em Mato Grosso, o coproduto alcançou preço médio de R$ 6.138,02 por tonelada, alta semanal de 2,94%. O desempenho, segundo o Imea, foi influenciado pela maior demanda global pelo produto.
Custos continuam elevados
Apesar do ambiente favorável para as cotações, o produtor mato-grossense segue atento aos custos para a próxima safra. Conforme levantamento do Projeto CPA-MT, do Senar-MT em parceria com o Imea, divulgado em agosto, o custeio estimado da soja 2026/27, com referência a julho, alcançou R$ 4.323,22 por hectare, alta de 3,39% em relação à temporada 2025/26.
A principal pressão vem dos fertilizantes. A estimativa de desembolso com esses insumos chegou a R$ 1.993,21/ha, enquanto os macronutrientes alcançaram R$ 1.614,56/ha, maior valor projetado para o ciclo. O comportamento está relacionado, entre outros fatores, às tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, que elevam os riscos relacionados à oferta e à logística internacional de fertilizantes.
O custo operacional total (COT) estimado para a soja 2026/27 chegou a R$ 6.682,54/ha. Considerando uma produtividade projetada de 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio calculado pelo Imea ficou em R$ 107,02/sc.
Na comparação com os preços praticados, o cenário ainda é positivo para o produtor. A estimativa de preço médio comercializado em julho para a soja da safra 2026/27 foi de R$ 111,17/sc, valor R$ 4,15 acima do ponto de equilíbrio. Isso significa que, nas condições projetadas atualmente, a cotação ainda oferece margem para cobrir o custo operacional total.
Comercialização avança
Os dados do Imea também mostram evolução na comercialização da próxima safra. Em agosto, 30,23% da produção estimada da soja 2026/27 já havia sido comercializada, avanço em relação aos 23,33% registrados em julho.
A estimativa atual aponta para uma área de 13,05 milhões de hectares, produtividade de 62,44 sc/ha e produção de 48,88 milhões de toneladas no ciclo 2026/27.
Enquanto isso, a comercialização da safra 2025/26 chegou a 93,06% em agosto, indicando que a maior parte da produção já foi negociada pelos produtores.
Com a colheita da safra 2025/26 já encerrada e o mercado voltado para o próximo ciclo, o comportamento dos preços internacionais passa a ganhar ainda mais importância para a formação das cotações em Mato Grosso. O clima nos Estados Unidos, a demanda chinesa, o câmbio e os custos de produção estarão entre os principais fatores a serem monitorados pelos produtores nas próximas semanas.
Assim, a soja mato-grossense entra na reta final de agosto em um cenário de valorização, sustentado principalmente pelo mercado externo. Para o produtor, porém, a alta das cotações precisa ser analisada em conjunto com os custos crescentes. Por enquanto, os cálculos do Imea indicam que o preço projetado permanece acima do ponto de equilíbrio, mas a diferença relativamente estreita reforça a necessidade de atenção à comercialização e à gestão dos custos na safra 2026/27.
Por Redação RBT News




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