Margens mais apertadas no mercado do boi gordo em Mato Grosso
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a valorização mais intensa do boi gordo em relação à carne bovina no atacado reduziu a margem da indústria frigorífica em Mato Grosso ao longo de agosto. Até a terceira semana do mês, o indicador do Equivalente Físico (EF), que relaciona o preço de comercialização da carne bovina com osso no atacado ao valor da arroba do boi gordo, ficou em 1,38%, queda de 1,80 ponto percentual em relação ao mesmo período de julho.

Segundo o Imea, o resultado evidencia um cenário de maior pressão sobre as margens ao longo da cadeia. Enquanto o custo de aquisição da matéria-prima avançou com mais força, o mercado atacadista encontrou limitações para acompanhar o movimento, principalmente diante de uma demanda interna ainda contida.
O boi gordo a prazo foi negociado, em média, a R$ 328,33 por arroba, alta de 3,31% no comparativo mensal. De acordo com o instituto, a sustentação veio, sobretudo, da oferta mais restrita de animais terminados em algumas regiões do estado, cenário que elevou a disputa das indústrias pela matéria-prima.
No atacado, porém, os reajustes foram mais moderados. Conforme a análise do Imea, o ritmo de compras do varejo não foi suficiente para permitir o repasse integral da valorização do boi gordo, comprimindo a diferença entre o valor obtido pela indústria com a comercialização da carne e o desembolso para aquisição dos animais.
Os indicadores da última semana reforçam esse movimento. Entre 17 e 21 de agosto, segundo o Imea, a cotação do boi gordo a prazo recuou diariamente, passando de R$ 329,86 por arroba para R$ 325,88 por arroba. No mesmo período, a escala de abate também diminuiu, de 10 para 8,33 dias, sinalizando uma disponibilidade de animais ainda relevante, mas com maior necessidade de originação por parte dos frigoríficos.
Para a última semana de agosto, o Imea projeta maior pressão sobre os preços nos três elos da cadeia. O comportamento é típico da reta final do mês, quando a demanda interna tende a perder força em razão do orçamento mais apertado das famílias e do menor ritmo de reposição do varejo. Nesse ambiente, a capacidade de repasse dos custos da indústria deve continuar limitada.
No mercado de reposição, entretanto, o cenário segue mais firme. Em Mato Grosso, o bezerro de 7 arrobas, com 12 meses, alcançou R$ 15,82/kg, alta semanal de 2,32%, segundo os dados do Imea. O movimento acompanha a trajetória de valorização observada para o boi gordo e demonstra que a procura por animais para recomposição dos sistemas produtivos continua sustentando as categorias mais jovens.
O boi magro de 12 arrobas também registrou avanço. Conforme o Imea, a categoria foi negociada, em média, a R$ 13,16/kg, alta de 1,76% em uma semana, refletindo a maior procura por animais de reposição destinados à terminação.
Na outra ponta, a carcaça casada do boi apresentou queda de 2,09% no comparativo semanal, com preço médio de R$ 23,95/kg. Para o Imea, a retração está relacionada ao menor aquecimento da demanda doméstica e ajuda a explicar a dificuldade de valorização da carne no atacado frente à arroba.
Outro indicador importante é a relação de troca entre boi gordo e bezerro. Na semana de 17 a 21 de agosto, os dados do Imea apontaram que um boi de 21 arrobas equivalia a 2,07 bezerros de 210 quilos, abaixo dos 2,14 registrados na semana anterior. A piora na relação mostra que a valorização do bezerro ocorreu em ritmo superior ao do animal terminado, aumentando o desembolso necessário para a reposição do rebanho.
Os dados do Imea sobre confinamento também apontam para um mercado atento à oferta futura. A intenção de confinamento em Mato Grosso alcançou 1,44 milhão de cabeças no segundo trimestre de 2026, mais que o dobro do volume registrado no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o custo operacional total da recria e engorda chegou a R$ 369,55/@, reforçando a importância de acompanhar não apenas o preço de venda do boi, mas também os custos ao longo do ciclo.
Assim, os indicadores compilados pelo Imea mostram que o mercado mato-grossense encerra agosto com uma equação mais desafiadora para os agentes da cadeia. O boi gordo encontra sustentação em uma oferta mais ajustada, enquanto a carne enfrenta uma demanda interna sem força suficiente para absorver integralmente os aumentos da matéria-prima. Para os próximos dias, o principal ponto de atenção será justamente o equilíbrio entre oferta, consumo e capacidade de repasse, fatores que devem definir o comportamento das cotações na transição para setembro.
Por Redação RBT News




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