Plantonista confessa morte de paciente e admite ter simulado suicídio em clínica de Cuiabá
A investigação sobre a morte de um paciente em uma clínica localizada no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá, teve uma reviravolta após o funcionário responsável pelo plantão noturno confessar o crime à Polícia Civil. O homem, de 42 anos, foi preso em flagrante e admitiu ter matado Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, além de montar uma falsa cena de suicídio para tentar ocultar o homicídio.
O caso chegou inicialmente às autoridades como uma ocorrência de suicídio por enforcamento. Entretanto, durante os primeiros levantamentos realizados pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), peritos e investigadores encontraram elementos que não eram compatíveis com a versão apresentada no local.
Durante o interrogatório, o suspeito relatou que houve um desentendimento entre ele e o paciente durante a madrugada. Conforme o depoimento, Alessandro apresentava comportamento considerado agitado, momento em que o funcionário utilizou um golpe de estrangulamento, conhecido como “mata-leão”, para contê-lo. Em seguida, teria amarrado os braços da vítima com uma corda.
As investigações apontam que, após a agressão, Alessandro permaneceu em um dos quartos da unidade junto com outros internos. Segundo a Polícia Civil, o plantonista não teria prestado qualquer assistência posterior nem retornado para verificar as condições de saúde do paciente ao longo da noite.
Quando percebeu que a vítima estava morta, o funcionário decidiu alterar a cena do ocorrido. De acordo com a apuração policial, ele utilizou uma corda para simular um enforcamento em uma janela do quarto, criando a aparência de um suicídio na tentativa de afastar suspeitas sobre sua participação na morte.
A polícia também identificou indícios de que o investigado tentou influenciar testemunhas. Conforme consta na investigação, uma pessoa teria sido pressionada a confirmar a versão falsa apresentada às autoridades, o que reforçou a suspeita de fraude processual.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de a corda usada na suposta encenação estar sob responsabilidade exclusiva do plantonista durante todo o período em que ele permaneceu de serviço na clínica.
O delegado Michael Paes, que conduz o caso, afirmou que a conclusão definitiva sobre a dinâmica da morte dependerá dos resultados dos exames periciais. Entre eles estão o laudo de necropsia e outras análises técnicas realizadas no local da ocorrência.
Além de esclarecer as circunstâncias do homicídio, a Polícia Civil busca identificar se houve participação de outras pessoas ou eventual omissão por parte de funcionários da unidade. Até o momento, o suspeito responde pelos crimes de homicídio doloso e fraude processual.
Diante da gravidade dos fatos e da tentativa de ocultação do crime, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. O inquérito segue em andamento.
O caso provocou forte repercussão na capital mato-grossense e reacendeu o debate sobre a fiscalização de clínicas que atendem pacientes em situação de vulnerabilidade, além dos mecanismos de controle e segurança adotados nessas instituições.
Por Rbt News





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