Após alerta ignorado e exoneração de engenheira, TCE inicia fiscalização na MT-170 que virou farelo
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, iniciou nesta segunda-feira (1º) uma série de vistorias em rodovias estaduais que receberam investimentos milionários do Governo do Estado, mas que hoje são alvo de questionamentos por apresentarem problemas estruturais graves poucos meses após a entrega.
A fiscalização ocorre em meio às denúncias feitas pela engenheira Nívea Calzolari, ex-secretária-adjunta de Obras Rodoviárias da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), que afirmou ter alertado o Governo sobre falhas no projeto e patologias identificadas ainda durante a execução da obra da MT-170. Após tornar públicas as críticas técnicas relacionadas ao empreendimento, a engenheira acabou sendo exonerada do cargo.
As denúncias levantadas por Nívea deram visibilidade ao caso e contribuíram para que órgãos de controle passassem a acompanhar mais de perto a situação da rodovia, cuja pavimentação entrou em colapso em diversos trechos menos de um ano após a conclusão das obras.
Durante a vistoria, Sérgio Ricardo fez duras críticas à situação encontrada. Segundo ele, informações recebidas pelo Tribunal apontam que trechos entre Castanheira e Juruena estão praticamente destruídos.
“A informação que nós temos é que existe um trecho entre Castanheira e Juruena totalmente destruído. E como se trata do mesmo projeto, existe uma preocupação de que o problema se espalhe por toda a extensão da rodovia. A MT-170 virou farelo e ela custou milhões de reais aos cofres públicos”, afirmou o presidente do TCE-MT.
O caso da MT-170 é considerado um dos mais emblemáticos da atual gestão de infraestrutura estadual. A pavimentação da antiga BR-174 apresentou deterioração severa e esfarelamento precoce em trechos que atendem os municípios de Castanheira, Juruena, Aripuanã, Cotriguaçu e Colniza, levantando questionamentos sobre a qualidade dos projetos, da execução e da fiscalização da obra.
A vistoria integra uma força-tarefa que servirá de base para auditorias do Tribunal de Contas, responsáveis por analisar a aplicação dos recursos públicos, a qualidade dos serviços executados e eventuais responsabilidades administrativas, técnicas e contratuais.
Ainda nesta segunda-feira, Sérgio Ricardo percorreu a MT-249, entre Diamantino e Campo Novo do Parecis, onde encontrou outro cenário preocupante. Em um trecho recém-entregue, a ausência de acostamento obrigava motoristas a invadirem a pista contrária para desviar de uma carreta quebrada, expondo usuários a risco iminente de acidentes.
Além da falta de acostamento, a presença de barrancos elevados nas margens da rodovia impede que veículos parem em segurança em situações de emergência, evidenciando falhas de concepção que agora passam a ser analisadas pelo órgão de controle.
Nesta terça-feira (2), a equipe do TCE-MT segue para o trecho da MT-170 entre Juruena e Castanheira, considerado um dos mais críticos de toda a rodovia. A expectativa é que a inspeção produza um amplo relatório técnico capaz de esclarecer por que uma obra que custou milhões aos cofres públicos começou a se desfazer antes mesmo de completar um ano de utilização.







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