No papel, Líbano e Israel estão sob um cessar-fogo que, no entanto, nunca de fato silenciou os combates, ativos desde que o Hezbollah atacou o Estado judeu em apoio ao Irã, por sua vez alvo de ofensiva de Washington e Tel Aviv a partir do dia 28 de fevereiro.
O conflito no Irã chega nesta terça-feira (28) a dois meses sem uma resolução. A trégua em vigor não resolveu os bloqueios no estreito de Hormuz operados tanto pelos EUA como pelo Irã; as negociações, até o momento, pouco avançam enquanto os dois lados acreditam pressionar o rival o bastante com as ações no golfo Pérsico para extrair concessões.
Nesta segunda, o Irã culpou Washington pelo fracasso das negociações e enviou o chefe da diplomacia do país, Abbas Araghchi, para se reunir com Vladimir Putin em Moscou. O líder afirmou no encontro que a Rússia faria “tudo o que sirva aos seus interesses e aos interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rapidamente possível.”
Já Líbano e Israel estão em contato direto e sob negociações mediadas pelos EU. Na última quinta-feira (23), os adversários viram a trégua ser estendida por mais três semanas, segundo anunciou o presidente americano, Donald Trump.
Nem antes disso, nem depois, os combates foram de fato encerrados, embora tenham sido reduzidos em intensidade. Nas primeiras levas de ataque, Israel bombardeou fortemente áreas em todo o Líbano, com foco no vale do Beqaa, a leste, em Beirute, principalmente seus subúrbios ao sul, e em toda a área ao sul do rio Litani, onde o Hezbollah atua com mais força.
Israel tem feito ataques em todo o Líbano desde o início do cessar-fogo, no dia 17 de abril, e suas tropas operam dentro do território libanês dentro do que foi inicialmente chamado de “linha amarela”, mesmo termo usado na Faixa de Gaza para separar a ocupação israelense do território ainda controlado pelo Hamas.
A faixa ocupada tem de 5 a 10 km de profundidade por toda a fronteira entre os países, e as tropsa realizam demolições de casas e infraestrutura em vilarejos. Depois de usar o termo semelhante ao utilizado em Gaza, as Forças Armadas de Israel mudaram a nomenclatura.
No domingo, o Ministério da Saúde libanês havia informado que ataques israelenses no sul do país mataram 14 pessoas, entre elas dusa crianças e duas mulheres. Não está claro se os números incluem a mãe e a filha brasileiras. Além disso, 37 pessoas ficaram feridas. Segundo a pasta, o número total de mortos no país em meio ao conflito chegou a 2.521 pessoas, com mais de 7.800 feridos.
“Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah”, segue a nota.
“Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses”, continua.
O ministério pede ainda o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006 que encerrou a então guerra entre Israel e Hezbollah.
“Em vista da violação do acordo de cessar-fogo pela organização terrorista Hezbollah, as IDF são obrigadas a tomar medidas decisivas contra ela”, disse no domingo o porta-voz em língua árabe do Exército israelense, coronel Avichay Adraee, no X, nomeando sete vilarejos ao sul do rio Litani.
“Da nossa perspectiva, o que nos obriga é a segurança de Israel, a segurança de nossos soldados, a segurança de nossas comunidades”, disse por sua vez o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu em uma reunião de gabinete. “Agimos vigorosamente de acordo com as regras que acordamos com os Estados Unidos e também, aliás, com o Líbano”, afirmou.
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