Lula fala em reciprocidade após EUA expulsarem delegado por ligação com prisão de Ramagem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta terça-feira (21) em uma possível reciprocidade do governo brasileiro aos Estados Unidos no caso do delegado da Polícia Federal expulso do país norte-americano por envolvimento na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Na Alemanha, o petista disse que, caso confirmado “abuso” dos EUA na decisão, o Brasil vai reagir.
“Acho que, se houve um abuso dos americanos com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa. Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas autoridades americanas querem ter em relação ao Brasil”, disse Lula.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho teve que deixar os Estados Unidos após um pedido do governo norte-americano, que justificou a medida devido à conduta do brasileiro em uma tentativa de “manipular” o sistema migratório do país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração tanto para contornar pedidos de extradições formais quanto para estender caça às bruxas política ao território dos Estados Unidos. Hoje, nós pedimos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, diz a nota.
Ramagem, que está nos EUA desde o ano passado, é considerado foragido pela Justiça brasileira. Ele foi sentenciado a 16 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no mesmo processo que também resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e participação em organização criminosa.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão Bolsonaro, Ramagem foi eleito deputado federal em 2022, mas perdeu o mandato em dezembro do ano passado, após decisão do STF que determinou a cassação em decorrência da condenação.
Guerra no Irã
Além da fala sobre o delegado, o presidente também voltou a criticar a guerra no Oriente Médio e disse que o governo está trabalhando em medidas que possam reduzir os impactos do conflito no bolso dos brasileiros.
“Eu acho que essa guerra é a guerra da insensatez. Uma guerra que não precisaria ter acontecido. E quem vai pagar por isso? A pessoa que vai comprar carne, arroz, feijão. Nós vamos fazer tudo o que for possível na área do governo, vamos tentar construir parcerias com os governos estaduais para que a gente não permita que o preço advindo da guerra irresponsável chegue ao bolso do povo”, concluiu.
R7





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