Justiça concede liberdade provisória a mulher que denunciou estupro dentro de delegacia em Sorriso
A Justiça de Mato Grosso decidiu, nesta terça-feira (23), conceder liberdade provisória à mulher que denunciou ter sido vítima de estupro dentro da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso. A decisão foi assinada pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, que impôs o cumprimento de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A investigada havia sido presa na última segunda-feira (22), enquanto recebia atendimento no Hospital Regional de Sorriso. Ela está grávida de aproximadamente cinco meses, apresenta gestação de risco e faz acompanhamento médico por complicações renais.
A prisão foi cumprida em razão de um mandado em aberto relacionado a investigações que apuram supostos crimes de sequestro, cárcere privado e tortura. Após a detenção, a defesa solicitou a substituição da prisão preventiva por medidas alternativas.
Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que não havia fundamentos que justificassem a manutenção da prisão cautelar, como risco à ordem pública ou prejuízo à instrução do processo. Diante disso, autorizou a soltura mediante restrições.
Entre as medidas impostas estão o comparecimento obrigatório aos atos do processo, recolhimento domiciliar no período noturno, das 22h às 5h, e monitoramento eletrônico por tornozeleira.
O caso ganhou grande repercussão nacional após a mulher denunciar ter sido abusada sexualmente enquanto estava sob custódia do Estado, dentro da unidade policial de Sorriso. Segundo as investigações, os crimes teriam ocorrido entre a noite de 9 e a manhã de 10 de dezembro de 2025.
De acordo com a apuração, um investigador da Polícia Civil, identificado como Manoel Batista da Silva, de 52 anos, teria retirado a vítima da cela e a levado para uma sala reservada da delegacia, onde os abusos teriam acontecido. As investigações apontam ainda que ele teria feito ameaças envolvendo a filha da vítima para tentar impedir a denúncia.
Na época, a mulher estava presa temporariamente sob suspeita de envolvimento em um homicídio. Posteriormente, a prisão foi revogada após a polícia concluir que ela havia sido apontada de forma equivocada como suspeita no caso.
O investigador, servidor da Polícia Civil desde 2001, foi preso em fevereiro deste ano. A identificação dele como possível autor dos crimes foi confirmada por exames de DNA, que indicaram compatibilidade entre o material genético coletado da vítima e o do servidor, segundo a investigação.





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