Combustíveis sobem em Mato Grosso com pressão sobre petróleo, etanol e diesel
Motoristas de Mato Grosso passaram a enfrentar preços mais altos nos postos de combustíveis nas últimas semanas. Em Cuiabá, os valores registrados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre os dias 13 e 19 de setembro mostram a pressão sobre o mercado: a gasolina comum chegou à média de R$ 6,97 por litro, enquanto o etanol foi comercializado, em média, por R$ 4,17. No caso do diesel S-10, o preço chegou a R$ 7,57.
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a elevação dos preços está relacionada a uma combinação de fatores que afetam diferentes pontos da cadeia de combustíveis.
Entre os principais elementos estão a valorização do petróleo no mercado internacional, o aumento dos custos do etanol e as dificuldades no abastecimento de diesel.
Petróleo influencia custos dos combustíveis
As cotações do petróleo no mercado internacional têm impacto sobre os custos de produção, aquisição e importação de derivados. Quando o barril fica mais caro, a pressão pode chegar às etapas seguintes da cadeia até alcançar o mercado de distribuição e revenda.
O efeito é particularmente relevante para o diesel. Conforme os dados mais recentes citados pela ANP, o produto chegou a uma média de R$ 6,65 por litro no mercado nacional na semana pesquisada.
Etanol também pesa no preço da gasolina
O custo do etanol é outro componente que influencia o preço final da gasolina. O combustível vendido nos postos recebe uma parcela obrigatória de biocombustível, fazendo com que alterações no valor do etanol tenham reflexos sobre a composição da gasolina.
Desde 1º de agosto, a proporção de etanol anidro adicionada à gasolina passou de 30% para 32%. Em setembro, o governo também autorizou o início de testes para avaliar uma possível elevação desse percentual para 35% na gasolina comum.
Segundo o Sindipetróleo-MT, o fim da safra de cana-de-açúcar na região Sudeste e a valorização do açúcar no mercado internacional também contribuíram para aumentar os custos relacionados ao etanol.
Importações menores dificultam oferta de diesel
O mercado de diesel enfrenta ainda um cenário de menor disponibilidade. Segundo o sindicato, houve uma forte redução nas importações do produto, provocando dificuldades para o abastecimento e limitações no atendimento de pedidos feitos às distribuidoras.
A situação tem impacto relevante em Mato Grosso, onde o diesel é amplamente utilizado no transporte de cargas e nas atividades ligadas ao agronegócio.
Como funciona a formação do preço
O valor pago pelo consumidor no posto é resultado de uma cadeia que envolve diferentes componentes e agentes. O combustível pode passar por produção ou importação, refino, distribuição, transporte e, por fim, revenda.
Por estar na última etapa, o posto recebe o produto já com os custos acumulados nas fases anteriores. O Sindipetróleo-MT afirma que os estabelecimentos de revenda não determinam isoladamente o preço dos combustíveis e que os aumentos repassados aos consumidores refletem custos recebidos das distribuidoras.
Sindicato pede atenção a toda a cadeia
Em manifestação divulgada nesta semana, o Sindipetróleo-MT afirmou que os reajustes observados nos postos estão relacionados a fatores anteriores à chegada dos produtos às revendas.
A entidade também questionou críticas direcionadas exclusivamente aos postos durante o período eleitoral e defendeu que eventuais fiscalizações sobre os preços considerem todos os segmentos envolvidos na cadeia de combustíveis.
Enquanto os diferentes custos continuam pressionando o mercado, consumidores mato-grossenses encontram preços elevados nas bombas, especialmente no diesel, combustível de grande importância para o transporte e para as atividades econômicas do estado.
Por Redação RBT News




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