Colheita do algodão alcança 69,52% da área em Mato Grosso e mantém pressão sobre os preços
Avanço das atividades no campo amplia a oferta, enquanto mercado de coprodutos segue com demanda enfraquecida, segundo o Imea
A colheita de algodão em Mato Grosso alcançou 69,52% da área projetada para a safra 2025/26 até o dia 21 de agosto. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e mostram avanço de 14,77 pontos percentuais em apenas uma semana, o maior ritmo registrado até agora na atual temporada.

O percentual também está 14 pontos percentuais acima do observado no mesmo período da safra passada. Conforme o Imea, o desempenho é influenciado pela menor área estimada nesta temporada e pelas condições climáticas, já que as chuvas registradas no mesmo período do ano anterior prejudicaram o avanço das operações.
Entre as regiões do Estado, o maior percentual de área colhida está no Norte-Nordeste, com 88,08%. Na sequência aparecem o Centro-Sul, com 74,58%, o Médio-Norte, com 70,81%, o Oeste, com 68,66%, e o Sudeste, com 68,25%.
O Noroeste apresenta o menor avanço, com 55,20% da área colhida. Segundo o levantamento, a ocorrência de chuvas atrasou o início dos trabalhos na região.
Para as próximas semanas, a previsão de tempo predominantemente seco e quente em Mato Grosso deve favorecer a continuidade da colheita e acelerar as operações no campo.
Preços seguem pressionados
O avanço da colheita tem aumentado a disponibilidade de algodão e seus coprodutos no mercado, contribuindo para manter os preços pressionados.
Na última semana, o preço do caroço de algodão subiu 0,42%, para R$ 799,09 por tonelada. Apesar da alta semanal, o produto acumula queda de 6,70% na comparação mensal. Em relação ao mesmo período da safra passada, o recuo chega a 11,73%.
O óleo de algodão também apresentou valorização semanal, de 1,60%, alcançando R$ 5.259,09 por tonelada. Ainda assim, o indicador acumula queda mensal de 1,66% e retração de 5,61% ante o mesmo período da safra anterior.
Segundo o Imea, o aumento da oferta ocorre em um cenário de demanda enfraquecida pelos coprodutos, o que limita a velocidade de absorção dos novos volumes e mantém o mercado pressionado no curto prazo.
No caso do óleo, a demanda dos setores alimentício e de biodiesel oferece algum suporte às cotações, mas ainda não foi suficiente para recuperar as perdas acumuladas.
Pluma registra queda em Mato Grosso
O preço da pluma de algodão em Mato Grosso registrou queda de 0,22% na última semana, fechando em R$ 131,65 por arroba, conforme o levantamento do Imea.
A pressão sobre a cotação está relacionada principalmente ao avanço da colheita, que amplia a oferta da fibra no mercado.
Na Bolsa de Nova York, entretanto, o contrato de algodão com vencimento em dezembro de 2026 apresentou valorização semanal de 3,56%, alcançando média de US$ 87,19 por libra-peso.
A paridade de dezembro de 2026 em Mato Grosso ficou em R$ 148,64 por arroba, alta de 2,88% na semana. Já o contrato de julho de 2027 em Nova York alcançou US$ 89,27 por libra-peso.
Outro indicador acompanhado pelo Imea foi o preço do poliéster, que subiu 2,50% na comparação semanal, para US$ 40,35 por libra-peso. A valorização ocorreu em meio à alta das cotações do petróleo.
Produção estimada cresce
Os dados do Imea também apontam aumento na estimativa de produtividade da safra 2025/26. A projeção chegou a 315,33 arrobas por hectare em agosto, acima das 310,67 arrobas por hectare estimadas em julho.
A produção de algodão em caroço está estimada em 6,51 milhões de toneladas, enquanto a área projetada permanece em aproximadamente 1,38 milhão de hectares.
No mercado, a comercialização da pluma da safra 2025/26 alcançou 32,44% até agosto. No ciclo anterior, 74,08% da produção já havia sido comercializada no mesmo período.
Com a colheita avançando em ritmo acelerado e a oferta aumentando, o cenário para as próximas semanas tende a continuar marcado pela pressão sobre os preços dos coprodutos e pela necessidade de absorção dos novos volumes disponíveis no mercado.
Por Redação RBT News




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