CNJ cobra mudanças no transporte de presos em MT após policiais rodarem 115 mil km para audiências de custódia

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformule, em até 60 dias, o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia no estado.

A decisão de sexta-feira (17) atende parcialmente a um pedido do Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso (Sinpol-MT), que apontou que investigadores e delegados vêm assumindo atividades que são de responsabilidade da Polícia Penal, segundo a legislação.

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CNJ determina mudanças nas audiências de custódia em MT após relatório indicar longos deslocamentos e sobrecarga da Polícia Civil. – Foto: Reprodução

No processo, o Sinpol-MT alegou que com a implantação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, modelo de realização das audiências de custódia, policiais civis passaram a ficar responsáveis pela guarda de presos em fóruns e delegacias.

Além disso, estariam fazendo também o transporte dos custodiados entre unidades policiais, fóruns e estabelecimentos penais, provocando longos deslocamentosinterrupção do atendimento nas delegacias e atrasos nas investigações de competência da Polícia Civil.

Relatório apontou problemas em mais da metade das diligências

Durante o processo, a entidade ainda argumentou que relatório técnico da Polícia Judiciária Civil analisou 1.007 diligências entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

O levantamento registrou 523 ocorrências com algum tipo de problema, o equivalente a 51,94% dos casos analisados. Entre elas, foram identificadas:

  • 262 situações em que não havia responsável para receber o preso no fórum;
  • 58 retornos de custodiados às delegacias;
  • 183 conduções posteriores aos presídios realizadas pela Polícia Civil;
  • 20 fechamentos temporários de delegacias em razão da ausência das equipes.

Segundo o documento, os policiais percorreram mais de 115 mil quilômetros no período analisado, com média de 114,77 quilômetros e 3 horas e 23 minutos por diligência.

Nos casos em que foi necessário levar o preso ao sistema prisional, o tempo médio chegou a 5 horas e 2 minutos. A comissão estimou que essas atividades consumiram, em média, 42% da jornada diária dos investigadores envolvidos.

⚖️ CNJ determina mudanças nas audiências de custódia

Tribunal de Justiça de Mato Grosso terá até 60 dias para reorganizar o fluxo de custódia e transporte de presos no estado.

📅
Prazo
60 dias
TJMT deverá reformular o fluxo de custódia e transporte de presos apresentados em audiências de custódia.
👮
Quem acionou o CNJ
Sinpol-MT
O sindicato afirmou que policiais civis vêm exercendo funções que seriam da Polícia Penal.
📊
Relatório analisado
1.007 diligências
O estudo da Polícia Civil avaliou ocorrências registradas entre 4 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.
⚠️
Problemas encontrados
523 casos
O equivalente a 51,94% das diligências apresentou algum tipo de intercorrência.
🏛️
Sem recebedor
262 casos
Presos chegaram ao fórum, mas não havia responsável para recebê-los.
🔄
Retorno à delegacia
58 presos
Custodiados precisaram voltar às delegacias por problemas no fluxo de atendimento.
🚔
Condução ao presídio
183 casos
Polícia Civil realizou o transporte posterior aos estabelecimentos penais.
🚪
Delegacias fechadas
20
Unidades ficaram temporariamente sem atendimento devido ao deslocamento das equipes.
🛣️
Distância percorrida
115 mil km
Os investigadores percorreram mais de 115 mil quilômetros, média de 114,77 km por diligência.
⏱️
Tempo médio
3h23
Cada diligência consumiu, em média, 3 horas e 23 minutos. Quando houve condução ao presídio, a média subiu para 5h02.
📉
Impacto na rotina
42%
A comissão estimou que essas atividades comprometeram cerca de 42% da jornada diária dos investigadores.
Objetivo da decisão
Novo fluxo
O CNJ quer definir responsabilidades para evitar que policiais civis permaneçam responsáveis pela custódia e transporte de presos além do previsto em lei.
📚 Resumo: O CNJ determinou que o TJMT reorganize, em até 60 dias, o sistema de custódia e transporte de presos após relatório apontar que mais da metade das diligências realizadas pela Polícia Civil apresentou problemas operacionais.

TJMT e Sejus defenderam modelo

Em sua manifestação, o Tribunal de Justiça informou que o Núcleo de Justiça 4.0 foi implantado conforme determinação do próprio CNJ e atende as 79 comarcas de Mato Grosso por meio de sete polos regionais e dez gabinetes.

O tribunal afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e março de 2026, realizou 2.136 audiências de custódia e sustentou que eventuais dificuldades são pontuais e decorrentes do período de implantação do novo sistema.

Já a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) defendeu que a responsabilidade da Polícia Penal começa apenas após o ingresso formal do preso no sistema penitenciário, mas informou que já mantém apoio em algumas comarcas, com policiais penais atuando em fóruns e equipes responsáveis pelo recolhimento de presos em determinados municípios.

TJMT terá de adotar medidas com prazo

Na decisão, o conselheiro Ulisses Rabaneda, destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que a Polícia Civil pode manter a custódia apenas de forma excepcional e transitória, durante a prisão em flagrante ou o cumprimento de mandados.

A guarda ordinária de pessoas presas, contudo, não pode ser atribuída rotineiramente aos investigadores, sob pena de caracterizar desvio de função.

“A controvérsia ultrapassa interesse corporativo isolado. O modo de apresentação de pessoas presas repercute sobre a atividade investigativa, a segurança dos fóruns, o funcionamento das delegacias, a dignidade dos custodiados, a regularidade das audiências e a eficiência da prestação jurisdicional em todo o Estado. O requisito de interesse geral está, portanto, presente”, destacou.

Diante disso, o conselheiro determinou que o TJMT apresenteem até 60 dias, um plano estadual provisório de contingência para organizar o fluxo de custódia em todas as comarcas. O documento deverá definir, entre outros pontos:

  • o local de recebimento da pessoa presa em cada comarca;
  • o órgão responsável pela custódia;
  • horários e contatos permanentes;
  • confirmação do recebimento antes do deslocamento para audiência;
  • proibição do retorno do preso à delegacia por mera falta de logística;
  • registro formal de qualquer apoio prestado pela Polícia Civil.

Além disso, o Tribunal terá 120 dias para concluir um protocolo interinstitucional definitivo, elaborado em conjunto com Sejus, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Penal, Polícia Civil, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB-MT e Sinpol-MT.

O objetivo é estabelecer uma matriz de responsabilidades para transporte, custódia, comunicação e monitoramento das pessoas presas durante as audiências de custódia em Mato Grosso.

Primeira Página entrou em contato com o TJMT e a Sejus-MT e aguarda posicionamento.

Por Primeira Página

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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