“Ciúme de pai não é proteção, é posse”, diz psiquiatra ao comentar morte de Olga Beatriz.
A morte da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, em Várzea Grande, continua gerando forte repercussão dentro e fora de Mato Grosso. Nas redes sociais, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, que reúne milhões de seguidores em diferentes plataformas, utilizou seu espaço para refletir sobre o caso e discutir os aspectos sociais envolvidos no crime.
Olga foi encontrada morta no último domingo (7) na residência do pai, Claudinei da Silva, de 42 anos. O homem foi preso e teve a prisão convertida em preventiva após ser ouvido pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso é tratado pela Justiça como feminicídio.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ana Beatriz afirmou que a tragédia não pode ser interpretada apenas como uma reação impulsiva ou um momento de perda de controle. Para a especialista, o episódio revela padrões de comportamento presentes em muitas famílias e sustentados por uma cultura de dominação e controle sobre mulheres e meninas.
Segundo as investigações, o crime teria ocorrido após o pai encontrar conversas da filha com um adolescente em uma rede social. Conforme relatado pelo delegado responsável pelo caso, Olga foi agredida e asfixiada dentro da residência. Horas depois, quando a mãe chegou para buscá-la, recebeu informações falsas sobre o paradeiro da menina. A adolescente foi encontrada desacordada em um dos cômodos da casa.
Ao comentar o caso, a psiquiatra destacou que atitudes motivadas por ciúmes ou pelo desejo de controlar a vida de uma filha não podem ser confundidas com cuidado ou proteção. Ela argumentou que existe uma diferença entre zelar pelo bem-estar de alguém e agir como se aquela pessoa fosse uma propriedade.
A especialista também chamou atenção para o fato de o processo tramitar na Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, reforçando que a vítima, apesar da pouca idade, foi alvo de um crime enquadrado dentro do contexto de violência de gênero.
A publicação gerou ampla repercussão entre internautas e reacendeu o debate sobre violência doméstica, relações de poder dentro das famílias e a necessidade de proteção de crianças e adolescentes contra todas as formas de violência.
O caso segue sendo investigado pelas autoridades.





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