Asaph Borba completa 50 anos de ministério e vê jovens e católicos regravarem sua obra
Há duas semanas, centenas de jovens se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo, para mais uma edição do Overflow, um projeto de evangelismo e ação social. No momento da adoração, Giovana Chartres e Isaque Valadão entoaram “Jesus em Tua Presença” e foram acompanhados por quase 800 pessoas —jovens, em sua maioria.
Composta em 1985, essa canção faz parte do repertório de Asaph Borba, 67, um dos mais relevantes músicos cristãos brasileiros.
Nascido em Coronel Fabriciano em 1958, Borba teve um encontro com Cristo aos 16 anos na Igreja Metodista Wesley, em Porto Alegre (RS), onde congrega até hoje com a esposa Rosana.
O artista já lançou mais de 70 discos e quatro livros e, em 2026, comemora 50 anos de carreira.
Sem cobrar direitos autorais, vê sua obra se expandir em muitos locais, inclusive na Igreja Católica. “Até padres já gravaram minhas músicas”, lembra.
“Eu não coloquei restrição nenhuma porque as canções vêm de Deus e eu quero que elas abençoem outras pessoas. É uma grande alegria ver principalmente a nova geração gravando e se interessando pelas músicas que Deus me deu”, explica.
Além dos shows, ele já se apresentou em estádios, casamentos, velórios, aniversários de igrejas, de amigos e até já deu “palinha” no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), quando foi reconhecido no check-in.
O aplauso é muito comum após cada apresentação, mas ele diz não se envaidecer com isso. “Tenho um ministério para servir e não ser servido”, afirma.
Uma vez, no interior da Colômbia, ficou hospedado em uma casa abandonada e sem teto. O local era usado por missionários para receber visitantes.
Em outra ocasião, motivado por costumes locais, precisou tirar a barba para se apresentar. “Fui lá e tirei, porque valorizo mais as pessoas, o ambiente e o ministério do que a barba.”
O cavanhaque é sua marca registrada e, talvez, se você não for cristão, “essa imposição” pode lhe causar um choque, mas a resposta, mais que o pedido, revela o coração de Asaph.
O músico também se lembra de quando os filhos André e Aurora eram pequenos e ele ia para o exterior em missão. O choro no aeroporto sempre foi dilacerante, segundo ele.
Apesar disso, já serviu na Europa, Ásia, África, América do Norte, América Central e América do Sul, com um forte trabalho missionário no Oriente Médio.
Com o americano Paul Wilbur, compositor e líder de louvor de música judaico-messiânica, aprendeu a transliterar suas canções para qualquer língua –sempre com a ajuda de nativos.
E assim, canções clássicas como “Alto Preço”, “Infinitamente Mais”, “Nós Somos o Povo a quem Deus Libertou” e “Superabundante Graça” ganharam versões em finlandês, norueguês, árabe e alemão.
Borba também lidera o ministério Life, que forma adoradores. Nas aulas, além de técnicas musicais e adoração com base bíblica, destaca a importância da celebração durante a adoração.
“Acredito que a igreja tenha perdido a alegria da celebração, da dança, do festejar”. Quando fala sobre dança, não se refere apenas a um ministério exclusivo, mas destaca a celebração com toda a igreja pulando e celebrando, como em diversos relatos na Bíblia. “Eu tenho a marca dessa celebração no meu ministério e eu gostaria de nunca perdê-la”, diz.
Em comemoração aos 50 anos de carreira, Asaph lançou um projeto especial gravado ao vivo na Igreja Encontros de Fé, em Porto Alegre (RS). As canções clássicas de seu ministério ganharam versões com Nívea Soares, Brunão Morada, Alda Célia, Bené Gomes, Gerson Ortega, Paulo Vicente entre outros.
Por Folha de São Paulo





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