‘Vou ao velório do meu filho vivo’: família e amigos participam de cerimônia de despedida de homem com câncer terminal
A família de Thiago Pitthan, de 47 anos, contou que estranhou, de primeiro momento, a ideia do empresário de realizar o próprio velório ainda em vida. A cerimônia de despedida foi organizada após ele receber o diagnóstico de um câncer terminal.
Para a mãe Mabel Shueler, o impacto inicial foi inevitável.
“Para mim o difícil… eu vou ao velório do meu filho vivo”, afirmou emocionada.
A reação dos irmãos também passou por um processo semelhante. Com o tempo, no entanto, a família entendeu que aquela era a forma escolhida por Thiago para lidar com a finitude — com lucidez e protagonismo.
“É a maneira dele querer que seja. Ele fez questão de usar essa palavra [velório]”, contou um dos irmãos. “O que a gente vai fazer lá é celebrar a vida dele.”
Esse entendimento ajudou a transformar o encontro em algo diferente do luto convencional. Para o irmão mais novo, admirador declarado, a mudança de perspectiva de Thiago é visível.
“Ele sempre foi um bom sujeito, mas acho que agora está vendo a vida com outro prisma”, afirmou.
A forma de lidar com a situação também inspirou outros familiares. A irmã caçula encontrou na escrita um caminho para processar a experiência: ela decidiu escrever um livro sobre o irmão, como forma de homenageá‑lo ainda em vida.
“Foi a forma que eu encontrei de lidar com tudo isso”, disse. “Porque eu acho que é isso que vale a pena.”
Música, festa e homenagens
No dia da cerimônia, o que poderia ser um momento de luto ganhou tons de festa. Em vez de silêncio e formalidade, a família recebeu convidados com café da manhã, música e conversas. Houve roda de samba, apresentações organizadas pelos amigos e até momentos de celebração coletiva, como coreografias ensaiadas.
A lista inicial de convidados rapidamente cresceu. “Depois passou para 100. E aí virou ‘quem quiser, é só chegar’”, contou.
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Com câncer terminal, homem decide fazer velório em vida — Foto: Reprodução/TV Globo
Outro momento marcante para os familiares foi a presença do irmão que mora em Portugal, considerado por Thiago um dos grandes amores da vida. Ele conseguiu chegar ao Brasil a tempo da celebração, reforçando o caráter de reencontro que marcou o evento.
Durante a celebração, Thiago fez questão de agradecer. “Isso aqui é um velório, porque eu fiz questão de chamar assim. Mas vocês estão transformando em uma coisa maravilhosa”, disse.
A companheira de Thiago, que o conheceu há cerca de um ano, diz que também tem aprendido a ressignificar a experiência ao acompanhar de perto a forma como ele escolheu viver esse período. “Estou sendo contagiada por essa alegria”, afirmou. “Ele está me ensinando todo dia que ainda está aqui.”
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Homem participa do próprio velório em Campo Grande, MS — Foto: Reprodução/TV Globo
Ao final do encontro, a sensação não foi de encerramento, mas de continuidade. Entre abraços e promessas, Thiago deixou claro que, apesar do diagnóstico, ainda se vê vivendo — e não partindo.
“Algumas pessoas perguntam como é sair morrendo. Não sei. Eu estou vivendo. Quando eu morrer, eu morri. Mas até lá eu estou vivendo”, afirmou.
g1




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