Vitória e derrota, alegria de um lado, tristeza do outro. Como lidar com esses sentimentos?
O mundo gira, a vida segue, independente de cada um de nós. Não mudamos a velocidade dos ponteiros do relógio, modificamos apenas o cenário dos tempos. O palco da vida é dinâmico, as cenas transformam-se inúmeras vezes no decorrer do tempo, que terminam a repetir-se mais cedo ou mais tarde.
O comportamento e as ideias dos diversos povos seguem o dinamismo da vida e pela própria dinâmica vital, o mesmo povo desenvolve ideias diferentes em diferentes aspectos, inclusive no tocante à governabilidade de uma nação.

Neste aspecto, como em muitos outros, há necessidade de disputa, que vai ter como resultado vencedores e perdedores, com alegria de um lado e tristeza do outro, uma experiência humana antiga, mas, nem por isso, deixa de ser uma ebulição relevante de sentimentos, que mexem com expectativas e esperanças.
Ao vencedor, nada mais justo do que a alegria, a comemoração da vitória e o desejo de compartilhá-la. Ao perdedor, o direito legítimo de expressar sua tristeza e frustração com a derrota.
O polo vitorioso deve ter o cuidado de não permitir que sua alegria se transforme em arrogância e que lhe dê o direito de humilhar a parte derrotada. Os méritos desta certamente existem e o seu reconhecimento pelo lado vencedor engrandece seu êxito na disputa. A vitória não lhe dá o direito de desqualificar milhões de pessoas que pensam diferente.
Os perdedores, por sua vez, precisam ter humildade suficiente para admitir a perda e viver seu luto, mas jamais permitir que a derrota lhes pese como o fim de um sonho ou uma sentença de morte, ou que afete sua saúde mental e sua capacidade de seguir em frente.
Estou escrevendo este texto na manhã do sábado, véspera do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2026. A disputa está acirrada e ainda não sabemos quem será o vencedor.
Estamos vivendo uma polarização mais emocional do que ideológica, transformando adversários políticos em inimigos, algo que não tem sintonia com o desejo humano das pessoas de bem, portanto traz considerável prejuízo à saúde mental coletiva, e isso é grave.
Precisamos manter a grandeza democrática com o reconhecimento da legitimidade de ambos os lados, situação e oposição, compostos de milhões de pessoas, praticamente em igual número de integrantes, considerado um empate técnico. Talvez seja a hora de refletir que devemos encontrar o centro da curva em vez de pender à direita ou à esquerda, porque o povo está pedindo isso. Assim as últimas pesquisas dizem e as urnas certamente confirmarão.
É óbvio que sempre haverá ideias contrárias, sempre existirá oposição. Isso faz parte da democracia e é algo necessário, mas o ideal é que não seja tão polarizado e, se o for, que não venha carregado de ódio. Não se pode cobrar do outro que pense como nós, nem que compartilhe da nossa alegria ou tristeza.
Em prol da saúde mental, que a alegria da vitória não se transforme em arrogância e que a tristeza da derrota não vire desistência. O feito maior dos vencedores seria estreitar o diálogo com aqueles que se opuseram. E dos perdedores, a humildade de respeitar o resultado das urnas e a certeza de que a alternância de poder é um pressuposto da democracia.
Hoje vencedor, amanhã vencido e vice-versa. Isso, mais do que apenas maturidade política, é maturidade. Parabéns aos vencedores e aos perdedores deste pleito. Ambos farão parte da história do nosso amado Brasil.
Por Primeira Página




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