Trabalhador rural de MT viaja por benefício e volta sem receber por causa da greve na Caixa
A greve dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal tem impedido o morador da zona rural de Jangada (MT), Bonifácio da Silva, de receber um benefício enquanto está afastado após uma cirurgia de hérnia de disco. A paralisação também afetou a trabalhadora autônoma Rosane Santos, que tenta renegociar uma dívida de financiamento.

A paralisação da categoria começou no dia 10 deste mês em todo o Brasil, com os trabalhadores reivindicando diversas melhorias. Em Mato Grosso, 60 agências estão com as portas fechadas e não há previsão para a retomada das atividades, já que a categoria ainda não chegou a um acordo com a instituição financeira.
Morador de Jangada, Bonifácio da Silva deveria receber R$ 2 mil no início deste mês, em Cuiabá. Ele viajou até a capital, mas não conseguiu sacar o valor, que atualmente seria sua única fonte de renda, devido à greve.
“Isso foi complicado também, porque até para andar eu ainda estou debilitado, não está bom para andar. E aí eu fui e dei viagem perdida, né? Porque aí eu fui e voltei sem receber. Eu dependia desse dinheiro para comprar remédio. Achei que podia estar no Caixa Tem, e eu verifico todo santo dia. Ficaria até mais fácil se mandassem para o Caixa Tem”, disse à TV Centro América.

Já Rosane Santos foi até uma agência em Cuiabá na expectativa de resolver um problema relacionado a um financiamento por meio do caixa eletrônico, um dos poucos serviços que continuam funcionando, mas também não conseguiu.
“É só diretamente dentro do banco mesmo. E fora o prejuízo que a gente tem, né? Porque juros, multas, isso aí eles não cobram, não cortam. A gente tem que pagar”, destacou.

O que a categoria?
Entre as principais reivindicações dos grevistas estão melhores condições de trabalho e avanços nas negociações do acordo e da convenção coletiva da categoria. Além disso, os trabalhadores cobram a realização de concurso público para ampliar o quadro de funcionários nas agências.
Os trabalhadores também são contrários às mudanças que aumentam a parcela paga por empregados, aposentados e dependentes no plano de saúde.
“O benefício ali não pode onerar o bolso do trabalhador na medida em que ele diferencia o pessoal mais antigo do pessoal admitido a partir de 2018, que não tem, não leva o plano depois da aposentadoria. Então, nós reivindicamos a isonomia do plano. Somos contrários ao reajuste que a empresa está impondo para a gente, o reajuste de 33%, ao passo que estamos recebendo uma correção salarial de 4,06%”, disse Luiz Edwirges, do Sindicato dos Funcionários da Caixa.

Entre os pontos não aceitos pelos trabalhadores estão o fim do limite de idade dos filhos para uso das horas destinadas a acompanhamento familiar. O banco também propôs flexibilizar a jornada e a mobilidade de trabalho para empregados com deficiência.
“Não tem previsão de retorno, então infelizmente é um serviço que está prejudicado, mas só depende da Caixa. A Caixa sinalizar positivamente, a gente está pronto para negociar, porque o nosso caminho é negociação. Quem está impondo algumas condições que têm dificultado o processo de negociação é a empresa [Caixa]”, afirmou Luiz Edwirges.
Por Primeira Página




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