Senador eleito por MT, Mauro Mendes se manifesta contra fim da escala 6×1 e cita brasileiros que trabalham até 16 horas nos EUA
Recém-eleito senador por Mato Grosso, Mauro Mendes (União) defendeu mudanças nas regras trabalhistas brasileiras e citou jornadas de até 16 horas por dia cumpridas por brasileiros nos Estados Unidos ao comentar o debate sobre o fim da escala 6×1.
A declaração foi dada nessa segunda-feira (5), um dia depois de Mendes conquistar uma vaga no Senado com a maior votação entre os candidatos no estado. Ele recebeu 1.187.352 votos, o equivalente a 33,21% dos votos válidos.

Ao ser questionado sobre mudanças na jornada de trabalho, Mendes afirmou que alterações na legislação precisam ser discutidas com profundidade para evitar impactos negativos à economia.
“Essas mudanças feitas sem muita profundidade podem ser muito ruins e graves para o país. Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos”, afirmou.
Na sequência, o senador eleito usou como exemplo brasileiros que deixam o país para trabalhar nos Estados Unidos e cumprem jornadas mais longas.
“Lá nos Estados Unidos nós temos milhares e milhares, centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, 10 horas por dia. E ganham por isso, ganham muito mais por isso e têm uma qualidade de vida melhor”, declarou.
Mendes comparou essa situação às regras existentes no Brasil e criticou o que considera excesso de rigidez na legislação trabalhista.
“No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo”, disse.
A declaração de Mauro Mendes ocorre justamente quando o Senado inicia a discussão da PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e mantém os salários. Para ser aprovada, a PEC terá de receber pelo menos 49 votos favoráveis, dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos de votação no plenário.
Mendes defende maior flexibilização
Durante a entrevista, Mauro Mendes também defendeu uma reforma mais ampla das relações de trabalho. Segundo ele, as mudanças sociais e o maior acesso à informação reduziram a necessidade de uma atuação rígida do Estado na proteção dos trabalhadores.
“Antigamente existia uma desinformação muito grande. Hoje todo mundo tem informação na palma da mão, as pessoas conseguem se autotutelar. Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo, que tem que criar leis rígidas para proteger o trabalhador”, afirmou.
Para Mendes, o papel do poder público deve ser garantir uma relação equilibrada entre trabalhadores e empresas, mas com maior liberdade econômica.
“Tem que ter uma relação justa entre trabalho e capital. O Estado existe para isso. Porém, tem que ter mais liberdade econômica para que haja uma capacidade do país se desenvolver economicamente e os próprios trabalhadores produzirem mais, ganharem mais”, completou.
O senador eleito encerrou o posicionamento defendendo a flexibilização de normas que, na avaliação dele, dificultam o desenvolvimento econômico.
“Flexibilizando algumas regras que, ao meu ver, não são produtivas e não são eficientes para o Brasil”, disse.
Eleito com mais de 1,1 milhão de votos
Resultado para Senado por Mato Grosso
Acompanhe a apuração dos candidatos às duas vagas de Mato Grosso no Senado.
MAURO MENDES
EEleito
UNIÃO
ZÉ MEDEIROS
EEleito
PL
JANAINA RIVA
MDB
FÁVARO
PSD
PEDRO TAQUES
PSB
GALVAN
AVANTE
MARGARETH BUZETTI
PP
CORONEL DARWIN
DEMOCRATA
PROFESSOR NELSON FERREIRA
AGIR
BENY GODOY
AGIR
As declarações foram dadas logo após Mauro Mendes conquistar uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado nas eleições de domingo (4).
Com 100% das urnas apuradas, o ex-governador recebeu 1.187.352 votos (33,21%) e terminou como o candidato ao Senado mais votado no estado. A segunda vaga ficou com Zé Medeiros (PL), que recebeu 977.777 votos, ou 27,35%.
A votação de Mendes também estabeleceu um novo recorde para o Senado em Mato Grosso, superando a marca de 1.073.039 votos obtida por Blairo Maggi em 2010.
Mauro deixou o governo de Mato Grosso em 2026 para disputar o Senado e assumirá o mandato de oito anos em fevereiro de 2027.
Além de Mauro Mendes, Mato Grosso elegeu Zé Medeiros (PL) para a segunda vaga em disputa no Senado. O atual deputado federal recebeu 977.777 votos, o equivalente a 27,35% dos votos válidos, e retornará à Casa onde já exerceu mandato entre 2015 e 2019, após assumir como suplente de Pedro Taques.
Por Primeira Página




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