Sem RG, CPF ou certidão, mato-grossense é registrada pela primeira vez aos 77 anos
Aos 77 anos, Sara Eguez conquistou algo que a maioria dos brasileiros recebe ainda nos primeiros dias de vida: o registro civil. Moradora do distrito de Vila Picada, em Porto Esperidião, ela nunca teve RG, CPF ou certidão de nascimento e passou décadas enfrentando as dificuldades causadas pela falta de documentação.
A regularização foi possível durante a passagem da Expedição Justiça Sem Fronteiras pela região, que chegou ao último destino da ação itinerante levando serviços jurídicos e cidadania para comunidades distantes da fronteira entre Brasil e Bolívia.

Sem qualquer documento oficial, Sara enfrentou limitações durante toda a vida. Um dos sonhos que permanecia adiado era visitar um filho que mora em Belo Horizonte.
“Meu filho quer que eu vá lá, mas eu não tenho documento para viajar. Hoje eu quero sair daqui com meus documentos para poder ir”, contou.
A necessidade da regularização se tornou ainda mais urgente após a morte da nora. Desde então, Sara passou a cuidar dos três netos, aumentando a importância de ter acesso aos direitos garantidos pela documentação.
Acompanhada do irmão, Rufino Eguez, e da cunhada, ela procurou atendimento na Expedição para dar início ao processo de registro tardio.
“Em outro lugar ela não conseguia. Ela não saía. Agora que vieram aqui perto, nós trouxemos ela para fazer o documento”, relatou o irmão.

Testemunhas ajudaram a confirmar a história
Para autorizar o registro tardio, a Justiça precisou ouvir familiares e testemunhas que confirmaram a origem e a trajetória de Sara.
Durante a audiência, uma das testemunhas relatou conhecer a idosa há muitos anos e confirmou informações sobre sua história familiar.
Com a comprovação dos dados apresentados, o pedido foi aceito e o registro civil autorizado.
Mudança de vida
Com o registro autorizado, Sara poderá emitir os demais documentos e ter acesso a serviços públicos, benefícios sociais e direitos que antes estavam fora do alcance.
Além disso, a documentação deve proporcionar mais segurança para cuidar dos netos e realizar planos que ficaram interrompidos por décadas. “É uma bênção de Deus. Realizou meu sonho”, disse emocionada.
Um documento simples no papel, mas que representa uma transformação profunda: depois de 77 anos, Sara passa a existir oficialmente perante o Estado e ganha novas possibilidades para seguir a vida com mais autonomia e dignidade.
Por Primeira Página




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