Preso por engano em investigação de furto a banco, homem é solto após perícia apontar que irmão usou dados dele
A Justiça de Mato Grosso determinou a soltura de um homem preso por engano como suspeito de envolvimento em uma tentativa de furto contra agência do Banco do Brasil, em 23 de abril de 2022, na cidade de Sorriso (MT). A decisão é do juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop (MT).
De acordo com a decisão, a ação penal foi instaurada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), no âmbito da na Operação North Banks, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO), para investigar crimes de organização criminosa, corrupção de menor e tentativa de furto qualificado contra instituição financeira.

Segundo os autos, durante a prisão em flagrante, um dos 8 envolvidos teria se apresentado às autoridades utilizando a identidade de Ramão Patrick Vilbala. Com isso, os procedimentos realizados posteriormente, incluindo a prisão preventiva, passaram a relacionar Ramão aos fatos investigados.
Ramão acabou sendo preso e permaneceu custodiado durante o processo. Em interrogatório judicial, ele negou participação no crime e afirmou que o próprio irmão, Cleiton Vilbala, teria utilizado seus dados pessoais por causa da semelhança física entre os dois.
Diante da dúvida sobre a identidade do homem que havia sido preso na ocasião, a Justiça determinou a realização de um confronto papiloscópico. O laudo produzido pela perícia concluiu que as digitais coletadas durante a qualificação e o interrogatório realizados em 2022 pertenciam, na realidade, a Cleiton Vilbala.
Prisão revogada
Com o resultado da perícia, o juiz Anderson Clayton Dias Batista concluiu que Ramão não era a pessoa presa e identificada durante a investigação. Segundo a decisão, não havia elementos que vinculassem Ramão à tentativa de furto ou ao descumprimento das condições cautelares atribuídas a ele.
Diante disso, o magistrado revogou imediatamente a prisão preventiva de Ramão, sem impor outras medidas cautelares. Também determinou sua exclusão definitiva da ação penal, além do cancelamento de eventuais restrições cadastrais, anotações criminais e antecedentes lançados em razão do processo.
A decisão determina ainda a expedição urgente do alvará de soltura, caso não esteja preso por outro motivo.

Irmão vira réu no processo
Com a confirmação da identidade do homem envolvido no caso, a Justiça determinou o desmembramento da ação em relação a Cleiton Vilbala. O Ministério Público também pediu a prisão preventiva de Cleiton Vilbala, e o pedido foi aceito pela Justiça.
Na decisão, o juiz apontou que existem elementos de prova relacionados à autoria e à materialidade dos crimes, incluindo depoimentos de testemunhas e o laudo de perícia papiloscópica.
Outro fundamento utilizado foi o fato de Cleiton estar em local incerto e não sabido. Para o magistrado, a situação prejudica a instrução do processo e pode dificultar a aplicação de eventual condenação. Caso seja localizado e preso, ele deverá ser levado à autoridade judicial para audiência de custódia.
O Primeira Página busca contato da defesa dos envolvidos. Espaço segue aberto para manifestações sobre o caso.
Operação North Banks
A Polícia Civil cumpriu 20 mandados de prisão e busca e apreensão, contra suspeitos de furtos em agencias bancarias, em Sorriso e Lucas do Rio Verde, entre abril e junho de 2022. A ação foi realizada em em 18 de junho de 2024, durante a operação North Banks.
Segundo a polícia, 13 ordens judiciais de prisão e 7 de busca em apreensão foram cumpridas Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Tapurah e Cuiabá. As investigações identificaram que dois presos em unidades prisionais do estado, se revezaram no uso dos celulares, dando ordens para executar furtos.

Ainda conforme as investigações, em cada furto, o líder criminoso criava um grupo por aplicativo de mensagem, com os executores da tarefa e as atividades e estrutura hierárquica definidas, o que caracteriza organização criminosa.
A polícia também identificou que um dos mandantes dos crimes está na Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, em Sinop, e que ele selecionou quais os bancos seriam os alvos dos furtos, e ordenou as execuções aos demais integrantes do grupo, inclusive realizando chamadas de vídeo em tempo real durante a execução dos furtos.
Por Primeira Página




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