Polícia Civil investiga integrante de facção suspeito de lavar dinheiro do tráfico em Rondonópolis
Operação Arcana cumpre quatro mandados e apura uso de dinheiro em espécie, contas de terceiros e bens registrados em nomes de outras pessoas para ocultar patrimônio
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (20), a Operação Arcana para investigar integrantes de uma facção criminosa suspeitos de utilizar recursos provenientes do tráfico de drogas em um esquema de lavagem de capitais em Rondonópolis.
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Cuiabá e Rondonópolis. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, a partir de investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).


O principal alvo da investigação é apontado como integrante de uma facção criminosa e suspeito de tentar exercer influência e controle territorial na região do bairro Vila Canaã, em Rondonópolis.
R$ 240 mil em dinheiro
Durante as investigações, a Polícia Civil apreendeu R$ 240 mil em espécie. Desse total, R$ 150 mil foram localizados no momento em que o investigado realizava um saque em uma agência bancária. O restante do dinheiro foi encontrado na residência dele.
Segundo a investigação, o uso frequente de dinheiro em espécie seria uma das estratégias utilizadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Os policiais também identificaram movimentações em que valores eram entregues em dinheiro a terceiros, que posteriormente realizavam transferências bancárias, inclusive por Pix.
Bens em nome de terceiros
As diligências apontaram ainda uma possível incompatibilidade entre a renda lícita conhecida do principal investigado e o padrão de vida mantido por ele e sua família.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito não possui vínculo empregatício ou empresa registrada, mas teria morado em condomínios de alto padrão e utilizado veículos de elevado valor que estavam formalmente registrados em nome de terceiros.
Entre os veículos identificados estão uma Toyota Hilux, avaliada em aproximadamente R$ 270 mil, e uma Toyota SW4 Diamond, estimada em cerca de R$ 475 mil. Segundo a investigação, ambas estavam registradas em nome de outras pessoas.
Os investigadores também localizaram um imóvel em Rondonópolis formalmente vinculado a uma familiar do principal investigado. Apesar disso, ele aparentaria exercer controle sobre o imóvel, inclusive com acesso a câmeras de segurança e outros sistemas da residência.
Dinheiro usado em compras
Outro ponto investigado é a utilização de dinheiro em espécie para o pagamento de despesas e aquisição de bens.
A Polícia Civil identificou informações sobre pagamentos de móveis planejados em dinheiro e sobre a solicitação para construção de um compartimento oculto em um móvel instalado na residência. A suspeita é de que o espaço pudesse ser utilizado para esconder valores.
A companheira do principal investigado também foi alvo das medidas judiciais. Conforme a apuração, ela teria auxiliado na movimentação dos recursos por meio de contas bancárias.
As investigações também apontaram registros de viagens, hospedagens e outras despesas que, segundo a Polícia Civil, seriam incompatíveis com a renda lícita conhecida dos investigados.
Investigação continua
Com os mandados, os policiais buscam apreender celulares, computadores, documentos, contratos, comprovantes de pagamentos, registros financeiros, dinheiro em espécie e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a origem e a destinação dos recursos.
A análise dos materiais apreendidos deverá permitir o aprofundamento da investigação, além de apontar se outras pessoas participaram ou colaboraram com o esquema.
A Operação Arcana é resultado de uma investigação que busca identificar como os valores supostamente provenientes de atividades criminosas eram movimentados, ocultados e utilizados para aquisição de bens.
O nome da operação faz referência a algo secreto ou oculto e, segundo a Polícia Civil, está relacionado à suspeita de que os investigados utilizavam dinheiro em espécie e terceiros para dificultar o rastreamento dos recursos.
As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade dos investigados.
Por Redação RBT News




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