PMs acusados de simular confronto após morte do advogado Renato Nery em Cuiabá voltam a usar tornozeleira
Por determinação judicial, os policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira, acusados de forjar um confronto com a arma que matou o advogado Renato Nery, em julho de 2024, em Cuiabá, vão voltar a usar tornozeleira eletrônica e ter o porte e posse de arma suspensos.
A decisão é da desembargadora Juanita Cruz da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que restabeleceu as medidas cautelares impostas aos militares e reformou uma decisão do Conselho Militar da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, que, em agosto de 2025, havia revogado as restrições.

O recurso foi apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que contestou a decisão do Conselho Militar. Para o órgão, a suspensão das medidas cautelares não era adequada diante da gravidade das acusações. O MPMT defendeu a manutenção do monitoramento eletrônico e do afastamento das atividades operacionais dos policiais enquanto as investigações seguem em andamento.
Na decisão, a desembargadora destacou que a gravidade das acusações, o fato de os investigados serem PMs e a suspeita de que provas possam ter sido manipuladas mostram que existe um risco real tanto para a segurança da sociedade.
“Com efeito, os elementos constantes dos autos revelam imputação de extrema gravidade aos
recorridos, policiais da Rotam, consistente na suposta simulação de confronto armado com a finalidade
de ocultar a autoria e assegurar a impunidade de crime antecedente – o homicídio do advogado Renato
Gomes Nery –, mediante manipulação da cena do crime e inserção artificiosa de armamento vinculado ao
evento delitivo”, considerou a desembargadora na decisão.

Segundo a desembargadora, os policiais não são acusados de um crime comum. Diante da suspeita de encenação de confronto armado para alterar a versão dos fatos e influenciar a investigação, impor apenas a proibição de contato com testemunhas é insuficiente.
O caso
O advogado Renato Nery, de 72 anos, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), foi atingido por sete disparos na manhã de 6 de julho de 2024, ao chegar ao seu escritório, localizado na Avenida Fernando Correa da Costa, no bairro Areão, em Cuiabá.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem, já à espera da vítima, efetuou os disparos e fugiu em uma motocicleta vermelha. Nery foi socorrido e passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte.
Por Primeira Página




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