Pai acusado de matar filho de 2 anos tenta sair da prisão alegando insanidade mental
O homem acusado de tirar a vida do próprio filho, de apenas dois anos, em um ato motivado por vingança contra a ex-companheira, teve negados os pedidos para deixar a prisão e para a abertura de incidente de insanidade mental. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (30) pela Justiça, com base em parecer do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
A defesa alegava que o réu, Rairo Andrey Borges Lemos, apresentaria transtornos psicológicos e episódios de amnésia. No entanto, o Judiciário entendeu que não há provas técnicas ou laudos médicos que sustentem dúvidas sobre a sanidade do acusado. Com isso, o juiz Rafael Depra Panichella marcou a audiência de instrução e julgamento para o dia 17 de junho de 2026.
O crime ocorreu em 2 de janeiro de 2026, no município de Sorriso (MT), e é tratado como um caso de violência vicária, quando o agressor utiliza o filho para atingir emocionalmente a mãe. Conforme as investigações, o acusado não aceitava o fim do relacionamento e a independência da ex-companheira, e teria matado a criança por asfixia dentro da residência.
Ao se manifestar contra a liberdade do réu, o Ministério Público destacou a gravidade da conduta e o risco que ele representa. Apesar de o caso se enquadrar como vicaricídio, o processo segue como homicídio qualificado, já que o crime ocorreu antes da criação da lei que tipifica esse tipo penal específico, sancionada em abril deste ano.
O caso
O acusado foi preso no início de janeiro, após o crime registrado em Sorriso, a cerca de 420 km de Cuiabá. A Polícia Militar foi acionada por volta das 19h50, após denúncia de uma possível tentativa de suicídio em uma quitinete na Rua Alencar Bortolanza.
Quando as equipes chegaram ao local, encontraram o homem sendo socorrido e a criança em estado grave. Moradores relataram que ouviram sons estranhos vindos do imóvel, que estava fechado com cadeado. Diante da situação, decidiram arrombar a porta.
Dentro da residência, que possui apenas um cômodo e banheiro, o suspeito foi encontrado pendurado por uma corda, enquanto o menino estava deitado na cama. Uma carta com conteúdo de despedida também foi localizada.
A criança foi levada pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Regional de Sorriso, mas não resistiu, mesmo após mais de 30 minutos de tentativas de reanimação.
A mãe do menino informou à polícia que estava separada do suspeito havia cerca de duas semanas. Segundo ela, ele demonstrou irritação ao saber que ela havia iniciado um novo relacionamento. O homem estava com a guarda da criança e havia dito que a devolveria apenas dias depois.





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