Nas ruas de Cuiabá, população debate fim da escala 6×1

O debate sobre o fim da escala 6×1 tem dividido opiniões e levado a discussão para além do Congresso Nacional. Neste 1° de maio, Dia do Trabalhador, o portal foi às ruas de Cuiabá para ouvir trabalhadores, aposentados, empreendedores e moradores sobre uma pergunta que resume o impasse: a mudança na jornada de trabalho vem para ajudar ou atrapalhar?

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A proposta em discussão no país busca acabar com o modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e folga apenas um. Entre os entrevistados, há quem veja a medida como avanço na qualidade de vida, no convívio familiar e no descanso. Por outro lado, parte da população teme impacto nos custos das empresas, redução de postos de trabalho e dificuldades para pequenos empreendedores.

 

Escala 6×1

A escala 6×1 é o regime em que o trabalhador cumpre jornada por seis dias consecutivos e tem direito a um dia de descanso semanal. As propostas em tramitação no Congresso discutem o fim desse modelo e a redução da jornada semanal sem redução salarial. Um dos textos em debate prevê jornada de até 40 horas semanais, enquanto a PEC 8/2025 propõe a redução para quatro dias de trabalho por semana. O tema ainda depende de aprovação no Legislativo para entrar em vigor.

 

 

Para o aposentado, Adalberto José de Souza, 85 anos, a mudança traria dificuldades para quem depende de serviços diários.

 

“A escala 6×1 vai atrapalhar, o próprio governo não aceitou, nós vamos aceitar porque? Por exemplo, eu tenho uma empregada doméstica, ela trabalha de segunda a sábado, a partir do momento que for implantado o 6×1, ela terá que trabalhar em torno de 5 dias, e aí como que você que faz, eu sou um velho de 85 anos, estou aqui agora, mas chegando em casa ela fez o meu almoço, e sem ela como é que eu fico? Por isso eu não aceito, eu não concordo.”.

 

Já o empreendedor Paulo Sespere, 49 anos, defende a mudança e afirma que a redução da jornada não deve ser tratada como ameaça à economia.

 

“Eu concordo com a escala 6×1, afinal 5 dias já é suficiente para trabalhar, não atrapalha em nada, tem vários meios para a gente chegar em um denominador comum e não vai atrapalhar ninguém, quando fizeram o décimo terceiro falaram que o Brasil ia quebrar, quando lançaram férias remuneradas falaram que o Brasil ia quebrar, e agora é só mais uma situação em que as pessoas começam a espalhar fake news para o povo. Mas eu estou totalmente de acordo, porque a família brasileira e qualquer cidadão do mundo merece pelo menos dois, até 3 dias de descanso por semana, para poder passar um tempo maior com a família.”.

 

A preocupação com o setor produtivo aparece na fala do ambulante, João Mendonça, 56 anos, que acredita que a medida pode pressionar comerciantes e trabalhadores informais.

 

“A escala 6×1 vem para atrapalhar os pequenos e grandes empreendedores, vai acabar faltando serviço, porque vai dispensar e vai tachar os ambulantes, vai ficar muito ruim para a gente, atrapalhar e muito, não é uma boa ideia.”.

 

Na avaliação da aposentada, Geicimar Chaves, 71 anos, a discussão também passa por uma mudança de mentalidade sobre trabalho, renda e qualidade de vida.

 

“Pode ser que ajude, eu com 71 anos já trabalhei demais, já não aguento trabalhar muito, e hoje eu repenso o por que que eu trabalhei tanto, se conseguir fazer uma reserva, trabalhando menos e vivendo mais é melhor, tem que aprender a lidar com o dinheiro, isso é muito importante.”.

 

Para Oslaine Rodrigues, 49 anos, a redução da jornada pode beneficiar especialmente quem acumula trabalho fora e dentro de casa.

 

“Se beneficiar a classe trabalhadora acho que pode ajudar bastante, tem muita gente trabalhando além do que deveria, vai ajudar muito, só um dia descansado é pouco, nós como donas de casa vai nos proporcionar mais tempo em casa com a família, e melhorar a nossa qualidade de vida.”.

 

Entre os contrários, Joaz de Souza, 43 anos, avalia que o fim da escala pode aumentar os custos das empresas e afetar diretamente os trabalhadores.

 

“A escala 6×1 vem para atrapalhar, porque quem vai pagar os funcionários, quem vai manter a empresa funcionando em um período que não está produzindo, vai aumentar o desemprego, porque para manter a empresa com os custos que ela tem? porque os custos não vão diminuir, a empresa vai precisar demitir funcionários para conseguir manter as despesas, então o primeiro a ser afetado será o funcionário.”.

 

Já a lojista Thais de Castro, 28 anos, vê a proposta como uma forma de garantir mais descanso e melhorar a rotina de quem trabalha em jornadas exaustivas.

 

“A escala 6×1 ela vem para melhorar a vida do trabalhador, é muito bom poder ficar mais com a família, ter mais tempo de lazer, seria muito bom, aumentar a qualidade de vida, quem não gostaria? Quem seria contra isso? A gente tem que ter um tempo para descansar, tem serviço que trabalha de domingo a domingo, então fica puxado para quem tem família.”.

 

Enquanto o tema segue em tramitação, o debate permanece aberto nas ruas. Em Cuiabá, as opiniões mostram que a escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a ocupar o centro de uma discussão maior: como equilibrar produtividade, renda, descanso e qualidade de vida no Brasil.

Por Gazeta Digital

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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