Morte de funcionário que montava palco de Shakira expõe falhas de segurança do trabalho, aponta fiscalização
Por g1 — A morte do serralheiro Gabriel Firmino de Jesus, que foi imprensado enquanto montava elevadores do palco do show de Shakira, marcado para o próximo sábado (2), expôs falhas na segurança do trabalho, de acordo com a polícia e a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.
A 12ª DP (Copacabana) e a fiscalização de saúde e segurança do MTE afirmaram, na última terça-feira (28) que Gabriel não poderia estar dentro do elevador no momento em que o equipamento foi acionado.

Fotos feitas durante a investigação mostram os elevadores nos quais Firmino estava trabalhando quando ocorreu o acidente fatal.
Relatos ouvidos pelos investigadores indicam que o serralheiro estava com parte inferior do corpo no elevador à direita e da cintura para cima no elevador da esquerda, realizando uma soldagem.
“Ele estava trabalhando dentro de um dos elevadores, com as pernas em um elevador e o resto do corpo no outro. Ele estava fazendo uma soldagem, ele estava ocupando com seu corpo o espaço ali por baixo entre os dois elevadores”, explicou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
“Em determinado momento, um desses elevadores (o da direita) subiu e ele acabou sendo prensado nesse espaço muito curto, de apenas seis centímetros”, afirmou.
A 12ª DP trabalha com as hipóteses de acidente ou de homicídio culposo por negligência para a morte de Gabriel Firmino. O Ministério Público do Trabalho também abriu uma apuração sobre o caso.
A Polícia Civil considera fundamental o depoimento de técnicos de segurança do trabalho que estavam presentes na obra no momento da morte da vítima. O objetivo é entender se eles poderiam ter evitado o acidente.
“O correto, pela norma de segurança do trabalho, é que, quando o elevador fosse operado, ele teria que sair de dentro da estrutura”, pontuou.
O Ministério do Trabalho e Emprego iniciou uma ação fiscal para apurar o acidente que resultou na morte de Gabriel Firmino. Até esta terça-feira, o órgão não encontrou outras situações de risco na montagem do palco, retomada após a perícia complementar da Polícia Civil.
Para Ana Luiza Horcades, chefe de fiscalização da saúde e segurança do Trabalho do MTE, houve uma falha no sistema de gerenciamento de riscos pela Cenoart, a empresa responsável pela montagem dos elevadores do palco de Shakira:
“Os acidentes acontecem por decisão de gerenciamento. Cada tipo de atividade tem os seus riscos característicos. Isso tem que ser identificado, avaliado e controlado. Então, quando acontece um acidente fatal como esses, é porque teve uma falha nesse sistema”, definiu ela.
Funcionário que acionou elevador ainda não foi ouvido
O funcionário responsável por acionar os elevadores foi hospitalizado, e seu depoimento na delegacia que investiga o caso ainda não pôde ser marcado. Segundo a polícia, ele relatou que ainda está muito abalado com o fato.
A 12ª DP já ouviu do funcionário da empresa Cenoart, ainda na praia de Copacabana, que Gabriel Firmino teria pedido o acionamento do elevador ainda dentro do equipamento.
O painel de controle, onde esse funcionário acionou o elevador, fica abaixo do palco, a 25 metros de distância de onde Firmino acabou morrendo.
“A gente considera muito importante a oitiva do funcionário que acionou o elevador para que o elevador se movimentasse”, afirmou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana).
A empresa Bonus Track, que organiza o show, afirma que está prestando todos os esclarecimentos solicitados. “A perícia ainda esta em andamento e nao comentamos até a conclusão do laudo final”, acrescentou.
CREA-RJ vai multar empresa
A Cenoart, nome fantasia da MG Coutinho Serviços Cenográficos, será alvo de uma multa do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ). Segundo o conselho, a empresa estava atuando de forma irregular.
Os fiscais do Crea-RJ constataram que a empresa não tem registro no conselho para exercer atividades de engenharia nem responsável técnico.




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