Mauro: É normal que Jayme saia ressentido após derrota; não temo que ele apoie Wellington
O ex-governador e candidato ao Senado, Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil (UB), declarou que considera compreensível o descontentamento do senador Jayme Campos (mesmo partido) após ter sua candidatura própria derrotada por 30 votos a 19 na convenção realizada hoje (30).
Jayme acusou a condução do pleito de ter sido “draconiana, desigual e desonesta”, mas Mendes rebateu as críticas afirmando que o processo seguiu rigorosamente o estatuto e que não teme eventuais debandadas ou apoios do aliado a adversários políticos.
Ao avaliar as declarações do colega de partido, o dirigente partidário buscou apaziguar o clima de tensão gerado pela disputa no diretório.
“Eu lamento que o senador Jayme tenha dito isso, lamento profundamente, mas nada disso foi visto aqui hoje. O que aconteceu seguiu absolutamente o regulamento eleitoral do partido“, disse Mendes.
O ex-governador ressaltou o caráter inevitável da insatisfação: “Conversas na política são sempre saudáveis. É possível que haja conversas de hoje em diante, e é natural que quem perca um processo de disputa tenha algum nível de ressentimento“.
Diante da possibilidade de Jayme Campos subir no palanque de adversários nas eleições estaduais, como o senador Wellington Fagundes (PL), Mauro rechaçou qualquer receio quanto à postura do correligionário.
“Tudo é possível, não tenho medo de nada. Os partidos são livres, as pessoas são livres para tomar o caminho que bem desejarem“.
Ao justificar a decisão da maioria dos convencionais em apoiar o projeto de reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos) em detrimento do nome de Jayme, Mauro reforçou que primou pela lealdade histórica entre ele e Pivetta.
“Eu objetivamente fiz uma escolha mantendo a coerência. A minha coerência apontava que esse governo, que eu representei por sete anos e três meses, teve comigo um vice-governador que ajudou durante todo esse período e nunca atrapalhou“, ressaltou.
Quanto aos potenciais desdobramentos eleitorais e a migração de intenção de voto entre os eleitores de Jayme para Pivetta, o presidente da sigla concluiu que a decisão final cabe soberanamente ao eleitorado. “Ninguém é dono do voto do cidadão, nem eu e nem ninguém. O cidadão é livre, ele vai analisar. A grande maioria absoluta do cidadão ainda não entrou no processo eleitoral“, finalizou.
A votação
O resultado da votação secreta durou mais de 5 horas e sepultou as pretensões de Jayme Campos de disputar o Palácio Paiaguás pela legenda e pacificou, no voto, o racha que vinha paralisando a cúpula governista.
A indicação feita pelo presidente estadual do partido, ex-governador Mauro Mendes, de seguir com Pivetta, obteve 30 votos favoráveis dos convencionais. Já a tese de candidatura própria apresentada por Jayme Campos registrou 19 votos, além de 1 nulo.
O desfecho da votação encerra um dos episódios mais tensos da política mato-grossense. Nos últimos meses, Jayme Campos travou um embate público contra a direção do partido, pois defendia que a legenda, por sua musculatura e história, deveria ter candidato próprio ao Governo.
O ápice do confronto ocorreu na abertura do evento. Jayme chegou acompanhado por um ruidoso “exército” de apoiadores e exigiu que sua candidatura única fosse aprovada por aclamação.
Mauro Mendes, porém, travou a manobra, apresentou formalmente a tese de aliança com o Republicanos e impôs o rito de votação secreta nas urnas para deixar a definição a cargo dos delegados e diretores do partido.
Mauro ao Senado
Mauro Mendes teve sua candidatura ao Senado Federal aprovada por aclamação durante a convenção. O espaço reservado às duas suplências na chapa majoritária permaneceu em aberto, sendo mantido como trunfo estratégico da cúpula partidária para atrair e acomodar legendas aliadas na coligação.
Chapa proporcional
Paralelamente, a militância e os delegados aprovaram a lista dos candidatos à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e à Câmara dos Deputados.
Entre os nomes indicados para a disputa estadual que buscam a reeleição estão os deputados Júlio Campos, Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende. O grupo de pré-candidatos conta ainda com a vereadora cuiabana Michelly Alencar e com a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM-MT), Cenira Evangelista.
Candidatos a estadual:
– Dilmar Dal Bosco
– Sebastião Rezende
– Júlio Campos
– Michelly Alencar
– Wender Roman
– Eliane da Silva Ferreira
– Cenira Benedita Evangelista
– Antônio Carlos da Silva Bezerra
– Ana Paula Leiria
Na corrida por cadeiras na Câmara Federal, a legenda aprovou a busca pela reeleição do deputado federal Fábio Garcia, além das candidaturas da ex-primeira-dama Virginia Mendes e da presidente do diretório municipal do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona.
Candidatos a federal:
– Gisela Simona
– Virginia Mendes
– Altemar Lopes
– Ednei Blasius
– Carlos Roman
– Fabio Garcia
As indicações do partido serão somadas às do Partido Progressistas (PP), agremiação com a qual o União Brasil forma a federação União Progressista em âmbito nacional. O grupo composto pelas duas legendas deverá oficializar até 25 nomes para a disputa de deputado estadual e 9 nomes para a disputa de deputado federal no Estado.
Todos os nomes ainda deverão passar pela aprovação da Federação União Progressista antes da homologação.
Por Repórter MT





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