Lula propõe grupo de trabalho com EUA para resolver impasse sobre tarifas
Após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que sugeriu a criação de um grupo entre os dois países para resolver questões ligadas às tarifas e à investigação comercial aberta pelos americanos em 2025.
Lula afirmou que a proposta entre Brasil e Estados Unidos deve servir para que os países atuem conjuntamente e cheguem a um entendimento sobre a política tarifária.

Apesar do tom positivo e, em alguns momentos, descontraído da reunião, houve episódios de tensão. Lula afirmou que ficaram evidentes as divergências entre os dois governos.
“Tem uma divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião. O ministro dele falou uma coisa, os nossos ministros falaram outra”, disse.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, foi o integrante da comitiva americana que demonstrou maior resistência em temas relacionados ao Brasil.
Ele é o responsável pela abertura da investigação sob a Seção 301 no ano passado que inclui o Pix, o comércio da rua 25 de Março, em São Paulo, e o etanol.
Vinculado a uma legislação americana de 1974, o regulamento autoriza o governo dos EUA a retaliar, com medidas tarifárias e não tarifárias, qualquer nação estrangeira que tome práticas vistas como injustificadas e que penalizam o comércio americano. China e União Europeia já foram alvo.
Entre os principais pontos de discordância estão os impostos cobrados pelo Brasil sobre produtos americanos. Lula chamou atenção para o desequilíbrio na balança comercial entre os dois países, ressaltando que o Brasil importa mais dos Estados Unidos do que exporta para o mercado americano.
“Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, afirmou Lula, ao rebater críticas de Donald Trump sobre as tarifas brasileiras e contestar o argumento de que haveria um desequilíbrio favorável ao Brasil na relação comercial.
Segundo o presidente, os americanos insistiram que alguns produtos brasileiros são taxados em até 12%. Diante do impasse, Lula propôs a criação do grupo de trabalho.
“Eu falei assim: vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu moço do Comércio, em 30 dias, apresente para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo”, relatou.
“Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, completou.
Neste ano, o Brasil passou a integrar uma nova investigação que busca analisar o suposto uso de trabalho forçado em 60 países.
A investigação que foi iniciada recentemente acontece após a Suprema Corte ter impedido Trump de fazer uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para impor tarifas, e tem sido vista por analistas como uma possível brecha que o governo americano encontrou para conseguir manter as cobranças.
No ano passado, as tarifas dos EUA contra o Brasil chegaram a ser de 50% sobre produtos brasileiros. Parte delas foram removidas após o primeiro encontro de Lula e Trump, que se abraçaram durante a Assembleia Geral da ONU.




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