Justiça encaminha ao STJ investigação sobre contrabando de mercúrio em garimpo de MT após suposta ligação com ex-governador Mauro Mendes

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou o envio de um dos desdobramentos da Operação Hermes II ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão dos procuradores da República atendeu a um pedido da 1ª Vara Federal de Campinas (SP), que levou em consideração a presença do ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) como sócio de uma das empresas investigadas por comércio ilegal de mercúrio, utilizado na extração de ouro na Amazônia.

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A decisão de maio a que g1 teve acessso, foi tomada pelo juiz Anderson Vioto Silva, que considerou que, na época dos fatos investigados, Mauro Mendes ocupava o cargo de governador de Mato Grosso, elemento que justifica o envio dessa parte da investigação ao STJ. Atualmente, ele é candidato ao Senado.

Em nota, Mauro Mendes define como absurdo que sua visita a um dos locais, que na época tinha participação minoritária de uma das empresas de sua família, seja motivo para a investigação.

“Visitar uma empresa seria crime? Confio na Justiça e espero que não seja mais uma armação política”, afirmou.

 

A defesa afirma que Mauro Mendes deixou o quadro societário das empresas há mais de seis anos e que, desde 2022, a gestão passou integralmente a outro sócio. Também destaca que a Sollo Mineração deixou a sociedade em 2024. Segundo a defesa, a investigação se baseia em suposições e contraria documentos oficiais que comprovam a saída de Mendes das empresas.

A defesa também questiona o momento da denúncia, apresentada três anos após o início das operações investigadas e a 45 dias das eleições, e afirma que a situação levanta dúvidas sobre as reais intenções da investigação.

Conforme, o documento as investigações apontaram para a presença de Mauro Mendes no quadro de sócios da empresa Maney participações LTDA, desde agosto de 2017. Está por sua vez, possuía 40% das cotas da empresa Mineração Aricá entre entre novembro de 2011 e janeiro de 2020.

Ainda de acordo com a documentação utilizada para embasar o pedido, entre os anos de 2022 e 2023, as empresas Mineração Arica Ltda e Kin Mineração adquiriram ao menos 314 kg de mercúrio, sem as autorizações necessárias do IBAMA, o que tornou a mercadoria ilícita e tipificou o delito de contrabando. Segundo o MPF, o produto foi comprado de integrantes de um grupo investigado por contrabando e comercialização clandestina do metal.

“As mineradoras KIN e ARICÁ fazem parte do mesmo conglomerado e compravam mercúrio do investigado ARNOLDO VEGGI, sem nenhum lastro nos sistemas do IBAMA, uma vez que não constam no sistema do CTF tais aquisições”, aponta a investigação.

 

O mercúrio era destinado à produção de ouro e, segundo a investigação, as transações teriam sido supostamente escondidas por meio de notas fiscais que registravam a venda de outros produtos, como “bolas de ferro”, em vez do metal.

Conversas interceptadas

 

Em uma das conversas interceptadas, de junho de 2022, um dos investigados afirma que a Mineração Aricá seria “do Mauro”. Em outro diálogo citado pelo MPF, Arnoldo Veggi, apontado na investigação como fornecedor de mercúrio ilegal, menciona o destino do produto como “Garimpo do Mauro Mendes”.

De acordo com as mensagens entre os investigados, a empresa Aricá surgiu e se consolidou como uma das maiores compradoras de mercúrio ilegal comercializado pelo o grupo.

Os procuradores também destacaram que além de Luis Antônio Taveira Mendes, a esposa de Mauro, Virginia Mendes, também integrou o quadro societário da Aricá entre 2019 e 2020.

“Há, portanto, indicativos importantes de que a Mineração Aricá é uma empresa que pertence também a Mauro Mendes, pessoa que detinha, na época dos fatos, a função de governador, e concomitantemente visitava o garimpo referido, demonstrando possível cometimento dos delitos no exercício do cargo eletivo”.

 

Com isso o Ministério Público Federal solicitou o declínio do caso para o Superior Tribunal de Justiça. O documento foi assinado pelos procuradores federais Luisa Astarita Sangoi, Danilo Filgueiras Ferreira, Ricardo Perin Nardi e Fausto Kozo Matsumoto Kosaka, em maio deste ano. Mendes não se manifestou sobre os outros pontos mencionados pelo MPF.

Filho de Mauro já havia sido citado na investigação

 

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Mauro Mendes e o filho empresário Luis Antônio Taveira Mendes — Foto: Divulgação

Na época, Luis Antônio afirmou que não atuava diretamente nas empresas. Ele também renunciou ao cargo de diretor da Kin Mineração Ltda..

A defesa de Luis declarou, à época, que o empresário nunca foi sócio direto das empresas investigadas e que não mantinha relação com os integrantes investigados. Segundo a defesa, a empresa anteriormente representada pelo filho do então governador tinha participação minoritária nas demais empresas.

Compra de mercúrio

 

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Ouro apreendido em operação da Polícia Federal de Campinas em Alta Floresta — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Segundo a PF, as empresas citadas fizeram compras de mercúrio com emissão de notas fiscais de venda de bolas de aço e de ferro, quando, na verdade, se tratava do mineral, segundo investigadores.

Ainda de acordo com a PF, a Mineração Aricá nunca declarou compra de mercúrio, mas produziu mais de 900 mil gramas de ouro. As primeiras vendas teriam acontecido em junho de 2022. Já para a Kin Mineradora os primeiros registros dessas compras foram em agosto daquele mesmo ano.

PF realiza 2° fase de operação contra contrabando de mercúrio e garimpo ilegal de ouro

A investigação começou em uma empresa de Paulínia (SP) que, segundo a PF, favorecia um dos maiores programas de uso ilegal de mercúrio.

Com permissão para produzir créditos de mercúrio, de acordo com as investigações, a empresa fraudou o sistema do IBAMA. A investigação da PF aponta que os crimes investigados estão relacionados ao contrabando e ocultação de elemento químico, cujo objetivo final era o fornecimento de minas no Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Pará.

Segundo a PF, foram retiradas sete toneladas de créditos de mercúrio dos sistemas do IBAMA. As principais formas usadas pelo grupo para fazer a movimentação dos valores foram:

  • utilização de laranjas para ocultar o verdadeiro responsável pelas operações comerciais e financeiras ou o verdadeiro proprietário de bens e valores;
  • utilização de empresas de fachada (sem sede física, com uso de testa de ferro ou laranja);
  • mistura entre capital ilícito com eventual capital lícito gerado por empresas com certa atuação comercial, de modo a tornar mais difícil a separação de um e de outro pelas autoridades;
  • utilização de empresas sem registro de funcionário;
  • compra e venda de imóveis, com valorização artificial, para justificar a origem ilícita do dinheiro utilizado;
  • blindagem patrimonial, por meio de manobras jurídicas e engenharia financeira/contábil;
  • utilização ilegal dos sistemas do Ibama para dar aparente legalidade à circulação de quantidade exorbitante de mercúrio;
  • uso do Aeroporto Internacional de Viracopos para transporte de mercúrio.

 

Veja nota da defesa na íntegra:

 

NOTA À IMPRENSA

  1. 1. Mauro Mendes não é mais sócio das empresas há mais de 6 anos. Sua saída do quadro societário ocorreu muito antes dos fatos agora investigados.
  2. 2. Desde 30/04/2022 — há mais de 4 anos — o sócio que detinha 60% das empresas assumiu integral e exclusivamente a gestão da sociedade, conforme documento anexo a esta nota.
  3. 3. Em 29/05/2024 — há mais de 2 anos — a empresa Sollo Mineração deixou definitivamente a sociedade, com saída de 100% de sua participação, também comprovada por documento anexo.
  4. 4. Diante desses fatos, é juridicamente insustentável que se solicite ao STJ a investigação de Mauro Mendes com base em conversas entre terceiros de que “seria proprietário” do local ou de que “teria visitado” a mineradora em alguma ocasião. Trata-se de acusação que contraria frontalmente documentos públicos, oficiais e devidamente registrados, configurando o que se pode chamar de uma verdadeira anomalia jurídica.

 

Seguimos confiando nas instituições e na Justiça brasileira. Mas não é possível deixar de registrar estranheza: uma denúncia baseada em mera suposição, contrária a documentos formais, surgir somente agora — três anos após o início das operações investigadas e a apenas 45 dias das eleições — é fato que, por si só, levanta sérias dúvidas sobre as reais intenções por trás dela.

Por G1 MT

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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