Jayme Campos critica convenção: “Não foi uma eleição tranquila, transparente nem democrática”
Derrotado na convenção estadual do União Brasil que definiu os rumos da sigla para as eleições de 2026, o senador Jayme Campos fez um pronunciamento marcado por fortes críticas à condução do processo interno, demonstrações de emoção e agradecimentos aos aliados que defenderam sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso.
Durante o discurso, realizado logo após a divulgação do resultado da votação, Jayme afirmou deixar a disputa “de cabeça erguida”, mas classificou a convenção como um processo marcado por desigualdade e falta de transparência. Segundo ele, em toda a sua trajetória política, nunca havia participado de uma convenção conduzida da forma como ocorreu desta vez.
O senador destacou que sempre defendeu a democracia e afirmou respeitar a decisão tomada pela maioria dos convencionais, embora tenha manifestado insatisfação com a maneira como o processo foi conduzido. Para ele, a escolha representa a vontade da maioria e também os desígnios de Deus, motivo pelo qual disse aceitar o resultado sem recorrer a qualquer tipo de confronto.
Mesmo sem conseguir o apoio necessário para disputar o Palácio Paiaguás, Jayme declarou que encerra essa etapa com a consciência tranquila por ter colocado seu nome à disposição da legenda. Segundo o parlamentar, sua intenção era oferecer ao partido uma alternativa para a disputa pelo governo estadual, mas prevaleceu a decisão favorável à construção de uma aliança partidária.
Um dos momentos mais marcantes do pronunciamento ocorreu quando o senador agradeceu aos apoiadores. Visivelmente emocionado, ele recordou pessoas importantes de sua trajetória política e fez referência ao filho falecido. Com a voz embargada, interrompeu o discurso por alguns instantes, recebeu aplausos dos presentes e, em seguida, retomou a fala.
Ao se dirigir aos aliados, Jayme garantiu que permanecerá ao lado daqueles que estiveram com ele durante toda a disputa interna. Disse que guarda gratidão por cada manifestação de apoio recebida e afirmou que não abandona companheiros em momentos difíceis.
O senador também demonstrou confiança ao afirmar que se considerava preparado para disputar o governo e que acreditava ter condições de vencer a eleição caso tivesse sido escolhido como candidato do União Brasil.
Na parte mais contundente do pronunciamento, Jayme voltou a questionar a legitimidade da convenção. Segundo ele, a disputa foi influenciada pelo peso da estrutura política e pelo poder econômico, fatores que, em sua avaliação, impediram condições iguais entre os concorrentes. O parlamentar ainda declarou que nunca abrirá mão de seus princípios e que sua trajetória política sempre foi pautada pela defesa da própria dignidade.
Convenção definiu caminho do União Brasil para 2026
A manifestação ocorreu após a convenção estadual realizada na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em Cuiabá, onde os filiados aptos a votar decidiram pela autorização para que o União Brasil negocie uma coligação com o Republicanos nas eleições de 2026.
Dos 50 convencionais habilitados, 30 votaram favoravelmente à possibilidade de aliança entre as duas legendas. Outros 19 defenderam que o partido lançasse candidatura própria ao Governo de Mato Grosso. A votação ainda registrou uma abstenção e um voto considerado nulo, após o convencional marcar simultaneamente as duas alternativas disponíveis.
Com a decisão, a direção estadual do União Brasil recebeu autorização para avançar nas tratativas políticas visando uma composição eleitoral com o Republicanos, deixando em segundo plano, neste momento, a candidatura própria ao Executivo estadual.
Debate acirrado marcou a convenção
Antes da votação, o ambiente já era de tensão entre as principais lideranças da legenda. Jayme Campos e o irmão, Júlio Campos, questionaram a inclusão da proposta de coligação no registro da candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado, alegando dúvidas sobre a legalidade do procedimento.
Mauro Mendes rebateu os questionamentos e afirmou que a proposta havia sido previamente discutida com a direção nacional do União Brasil, defendendo que o tema poderia ser submetido normalmente à apreciação dos convencionais.
O encontro também foi marcado por troca de críticas entre Mauro Mendes e o deputado estadual Dilmar Dal Bosco. O parlamentar classificou a eventual aliança com o Republicanos como uma traição ao partido. Em resposta, o ex-governador argumentou que a formação de alianças faz parte da tradição política tanto do antigo PFL quanto do próprio União Brasil e afirmou que a decisão representa apenas uma estratégia eleitoral para o pleito de 2026.
Por Redação RBT News





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