Infraestrutura sem transparência: o que a MT-170 revelou sobre as estradas e o governo de Mato Grosso
A discussão sobre a MT-170 deixou de ser apenas um debate sobre uma obra. O caso revelou uma questão maior: como o Estado acompanha e garante a qualidade dos investimentos em infraestrutura rodoviária.
Relatórios apontam falhas na execução, inconsistências em projetos e problemas de fiscalização. As responsabilidades são atribuídas a servidores, empresas contratadas e consórcios executores. Mas permanece uma pergunta central: qual foi o papel de quem tinha a obrigação de liderar a fiscalização, supervisionar e garantir a qualidade da obra?
Em contratos públicos, a responsabilidade final não pode ser transferida. Cabe ao poder público assegurar que os recursos sejam aplicados corretamente e que as obras atendam aos padrões exigidos.
O caso também levanta outra questão: a MT-170 é uma exceção ou apenas o exemplo mais visível de um problema maior?
O governador em exercício, Otaviano Pivetta, reconheceu a existência de cerca de mil quilômetros de rodovias estaduais com problemas. Se esse é o cenário, onde estão esses trechos e qual é a situação deles?
As dúvidas aumentam diante de fiscalizações recentes do Tribunal de Contas do Estado, que identificaram falhas também nas MTs 140, 020 e 251. Os apontamentos incluem buracos, afundamentos no asfalto, erosões, ausência de acostamentos e questionamentos sobre projetos e execução das obras.
O debate sobre infraestrutura não pode se limitar ao número de quilômetros asfaltados. É preciso discutir qualidade, durabilidade, segurança e eficiência no uso do dinheiro público.
Também preocupa o fato de muitos problemas só ganharem visibilidade após a atuação dos órgãos de controle. Se existem cerca de mil quilômetros de rodovias com deficiências, a população tem o direito de saber onde estão, quais providências serão adotadas e quanto custarão os reparos.
Mato Grosso viveu um dos maiores ciclos de investimento em infraestrutura de sua história. Por isso mesmo, transparência, controle e prestação de contas devem caminhar no mesmo ritmo das obras. Quando falhas semelhantes aparecem em diferentes rodovias, a discussão deixa de se restringir a problemas pontuais de execução e passa a envolver a eficiência dos mecanismos de acompanhamento e supervisão adotados pelo próprio Estado.
A MT-170 talvez não seja o principal problema. Talvez seja apenas a obra que revelou uma discussão necessária sobre responsabilidade, transparência e gestão dos recursos públicos.





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