Força Aérea Brasileira desembarca na Venezuela para corrida contra o tempo por sobreviventes após terremotos
O Brasil reforçou neste sábado (27) a operação de ajuda humanitária à Venezuela, devastada pelos fortes terremotos registrados na última quarta-feira (24). Após o pouso da primeira missão da Força Aérea Brasileira (FAB), um terceiro voo foi preparado para transportar kits de medicamentos e o módulo complementar necessário para a instalação de um hospital de campanha.

A primeira aeronave, um KC-390 Millennium do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT) – Esquadrão Zeus, desembarcou na Base Militar da Força Aérea Venezuelana El Libertador, em Maracay. A bordo estavam médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para auxiliar nas operações de busca e resgate em áreas atingidas pelo desastre.
A mobilização foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e reúne profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), militares dos Corpos de Bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Venezuela entrou neste sábado no terceiro dia de buscas por sobreviventes e desaparecidos. De acordo com o balanço provisório divulgado pelo governo venezuelano, 920 pessoas morreram, 3.360 ficaram feridas e cerca de 4 mil estão desabrigadas. Além disso, quase 400 edifícios foram danificados ou destruídos pelos tremores.
O número de vítimas, porém, pode ser ainda maior. O Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas, tornando o terremoto uma das maiores tragédias já registradas no país.
Hospital de campanha e mais de 111 mil medicamentos
A ajuda brasileira será reforçada com um novo voo que decola da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, levando kits de medicamentos e equipamentos para ampliar a capacidade de atendimento às vítimas.
Segundo o governo federal, serão enviados cinco kits de calamidade, totalizando 111,8 mil medicamentos e insumos, suficientes para atender aproximadamente 1.500 pessoas durante um mês. Entre os materiais estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, ataduras, gazes, seringas, luvas, máscaras, esparadrapos e dispositivos para infusão.
O governo ressaltou que a doação não compromete os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS).
Corrida contra o tempo por sobreviventes

A missão brasileira deve permanecer inicialmente por 15 dias na Venezuela, com possibilidade de prorrogação por mais duas semanas. O foco, neste momento, é localizar pessoas presas sob os escombros.
Segundo a porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, Karoline Magalhães, ainda há chances de encontrar vítimas com vida.
“Quando cai um prédio, formam-se bolsões de ar. Então, as pessoas, muitas vezes, permanecem dentro desses bolsões com uma sobrevida até considerável, cinco, dez dias”.
O ministro da Defesa, José Múcio, também deve viajar à Venezuela na próxima semana para acompanhar e coordenar as ações brasileiras de assistência humanitária.
Delegações internacionais reforçam operação
De acordo com a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, equipes de diversos países já participam da força-tarefa de resposta ao desastre. Entre eles estão:
- México;
- Chile;
- El Salvador;
- Estados Unidos;
- Catar;
- Espanha;
- Países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU).
Terremotos deixaram rastro de destruição
Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos consecutivos atingiram a região norte da Venezuela, onde está localizada Caracas. Os abalos derrubaram edifícios, destruíram imóveis e provocaram centenas de vítimas, sendo considerados os mais intensos registrados no país em mais de um século.
Os tremores também foram sentidos em cidades do norte do Brasil, mas não houve registro de feridos em território brasileiro.
Entre as vítimas fatais confirmadas estão dois brasileiros: a modelo Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, e o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos.


Por Primeira Página




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