Entenda por que o etanol de milho americano está no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos

Um dos principais pontos de tensão da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos envolve o acesso do etanol de milho americano ao mercado brasileiro.

O tema ganhou protagonismo nas discussões entre os dois países e permaneceu sem solução até o encerramento da fase técnica das negociações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), dentro da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

etanol-de-milho-1-DBV1O Entenda por que o etanol de milho americano está no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos

Na avaliação do USTR, o Brasil passou a adotar, a partir de 2017, uma política tarifária considerada desfavorável às exportações americanas de etanol. O órgão argumenta que as mudanças nas regras de importação reduziram o acesso do produto dos Estados Unidos ao mercado brasileiro.

A posição americana, no entanto, é contestada pelo governo brasileiro e por representantes do setor de biocombustíveis, que defendem que a política adotada pelo país segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e faz parte da estratégia nacional de desenvolvimento do setor.

A disputa pelos 18% de tarifa

O conflito envolvendo o etanol tem origem na política brasileira de importação adotada a partir de 2017.

Naquele ano, o Brasil criou uma cota de importação para o etanol estrangeiro com tarifa reduzida. Quando o volume importado ultrapassava esse limite, era aplicada uma tarifa maior sobre o produto.

Ao longo dos anos seguintes, as regras passaram por alterações. Em janeiro de 2024, o Brasil retomou a cobrança de uma tarifa de importação de 18% sobre o etanol estrangeiro, medida que permanece em vigor.

É justamente essa cobrança que está no centro da reclamação apresentada por entidades americanas. Para os produtores dos Estados Unidos, a tarifa reduz a competitividade do etanol de milho americano no mercado brasileiro e limita o acesso a um dos maiores consumidores mundiais de biocombustíveis.

O Brasil, por outro lado, argumenta que a medida está dentro das regras internacionais de comércio e representa uma política de proteção e organização do mercado nacional de combustíveis renováveis.

O que os Estados Unidos contestam

A principal reclamação americana envolve o etanol produzido a partir do milho, matéria-prima responsável pela maior parte da produção do biocombustível nos Estados Unidos.

Segundo a National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho americanos, a adoção das medidas tarifárias brasileiras reduziu significativamente a competitividade do produto americano no país.

Em documento encaminhado ao USTR, a entidade afirma que o acesso dos exportadores dos Estados Unidos ao mercado brasileiro foi fortemente prejudicado após as mudanças na política de importação.

Na conclusão da investigação, o próprio USTR afirmou que o Brasil deixou de oferecer um tratamento tarifário considerado recíproco ao etanol americano. A interpretação faz parte da justificativa apresentada pelo governo dos Estados Unidos para avaliar medidas comerciais contra o Brasil.

Brasil tentou negociar etanol por açúcar

Durante a fase final das tratativas entre os dois países, o governo brasileiro tentou abrir uma possibilidade de acordo envolvendo o setor sucroenergético.

Segundo relatos de integrantes do governo brasileiro, foi apresentada aos Estados Unidos a possibilidade de discutir uma redução das tarifas aplicadas ao etanol importado em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano.

A proposta, porém, não avançou. O USTR descartou a possibilidade de negociar o tema nesse formato, mantendo o impasse entre os dois países.

O episódio mostrou que a disputa envolvendo o etanol ultrapassa a questão tarifária e passou a envolver interesses estratégicos ligados ao comércio agrícola, à segurança energética e à competitividade dos biocombustíveis.

Produção brasileira de etanol de milho mudou o mercado

A discussão ocorre em um momento de transformação da indústria brasileira de biocombustíveis.

Embora a cana-de-açúcar continue sendo a principal matéria-prima utilizada na produção de etanol no Brasil, o etanol de milho ganhou espaço nos últimos anos, principalmente com a expansão de usinas no Centro-Oeste.

Impulsionado por investimentos em plantas industriais dedicadas e unidades flex, capazes de processar diferentes matérias-primas, o setor ampliou a oferta nacional de biocombustível e reduziu a necessidade de importações.

Esse crescimento da produção brasileira não é apontado pelo USTR como motivo da investigação, mas ajuda a explicar o cenário de mercado. Com maior disponibilidade interna, o Brasil passou a depender menos do produto importado, reduzindo o espaço para o etanol americano.

Dois gigantes do etanol disputam espaço

Brasil e Estados Unidos são os dois maiores produtores mundiais de etanol, mas com modelos diferentes.

Os Estados Unidos lideram a produção global utilizando principalmente milho como matéria-prima. O Brasil aparece na sequência, com predominância histórica do etanol de cana-de-açúcar e crescimento acelerado da produção de etanol de milho.

Essa disputa coloca o mercado brasileiro em uma posição estratégica para os exportadores americanos. Ao mesmo tempo, reforça o interesse brasileiro em ampliar a produção nacional de combustíveis renováveis.

Mesmo com o encerramento das negociações técnicas sobre o tarifaço, o etanol deve continuar como um dos temas mais sensíveis da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

A recomendação final do USTR já foi encaminhada ao presidente Donald Trump, mas a divergência sobre o acesso do etanol de milho americano ao mercado brasileiro permanece sem solução e deverá continuar influenciando as próximas negociações entre os dois países.

 

Por Canal Agrícola

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

Publicar comentário