A ideia do governo é que os juros do financiamento fiquem abaixo da taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano, por meio de um subsídio, que deverá ser maior para mulheres.
Os R$ 30 bilhões estimados para esse fim entrariam na contabilidade como despesa financeira, o que não contaria para o resultado primário das contas públicas. O programa deve ter participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Veículos que rodam somente com gasolina ou óleo diesel não poderão ser financiados pelo programa. O governo petista faz o possível para promover combustíveis renováveis, como etanol –preferencialmente produzidos no Brasil.
Lula aparece nas pesquisas de intenção de voto tecnicamente empatado com o principal pré-candidato a presidente da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (16), mostra os dois com 45% das intenções de voto para o segundo turno.
Os dados do levantamento foram colhidos majoritariamente antes da revelação de mensagens de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e pivô de um esquema de fraude financeira. Ou seja, não foram captados eventuais danos na popularidade de Flávio causados pelas mensagens.
O governo Lula tentou promover uma regulamentação do trabalho por aplicativos, mas houve um impasse nas negociações com o Congresso e a discussão ficou para 2027. A gestão petista considera precárias as relações de trabalho por meio dos aplicativos, daí a tentativa de uma regulamentação.
“As empresas de aplicativo exploram os trabalhadores como jamais em outro momento na história os trabalhadores foram explorados”, disse o petista pouco mais de dois meses depois de tomar posse como presidente da República.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já afirmou que as condições dos trabalhadores por aplicativos “beiram a escravidão”.
Durante as conversas com representantes de trabalhadores por aplicativos, os aliados de Lula perceberam uma divisão: motoristas de aplicativos de transporte de passageiros, como os que devem ser beneficiados pelo novo programa, são mais resistentes a aproximações com a gestão petista do que entregadores.
Lula já fez uma série de outros anúncios nas últimas semanas buscando melhorar sua popularidade.
A subvenção para gasolina será de até R$ 0,89 por litro de gasolina para evitar reajustes. Os preços estão pressionados por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem aumentado a cotação do petróleo no mercado internacional. O impacto nas contas públicas poderá chegar a R$ 2,4 bilhões.
Na última terça-feira (12), Lula revogou a “taxa das blusinhas”. Criada em seu governo, ela era impopular e causava desgaste junto aos setores do eleitorado que fazem compras no exterior por meio de sites e aplicativos. A medida foi uma vitória da área política do governo. Integrantes da área econômica, inclusive o vice-presidente e ex-ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin (PSB), eram contra a revogação.
Além disso, o petista lançou, também na semana passada, um pacote de R$ 11 bilhões para combate ao crime organizado. Do total, R$ 10 bilhões são em crédito para ações no setor, e R$ 1 bilhão direto do orçamento federal, executado por meio do FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública).
A segurança pública deverá ser um dos principais temas da eleição deste ano, e a gestão Lula mal avaliado na área. Como mostrou pesquisa Datafolha, trata-se do setor mais lembrado pelos eleitores como o que tem o pior desempenho do governo.
Uma das principais medidas do presidente da República visando à eleição foi no início de maio, quando o petista lançou a nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas. O entorno do chefe de governo avalia que o endividamento da população é um dos motivos a popularidade do presidente não deslanchar.
A nova versão do Desenrola dá até 90% de descontos em dívidas, com limite de R$ 15 mil após a negociação. Também limpa o nome de quem deve até R$ 100 e permite o uso de 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagar débitos.
A medida mira inclusive a classe média, além de setores mais específicos da sociedade como devedores do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), empresas e agricultores familiares.
O custo das ações em ano eleitoral levantou questionamento de especialistas sobre qual seria o melhor uso dos recursos destinados a esses programas. É apontado, por exemplo, risco de a maior circulação de dinheiro na economia aumentar a inflação.
Integrantes do governo rechaçam a ideia de que os programas anunciados visem à reeleição do presidente da República. Mencionam, por exemplo, efeitos negativos da guerra no Oriente Médio como motivo para as ações.
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