Dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se deveria deixar o país.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025. Ele também solicitou reuniões com o ministro para discutir as transações comerciais que levaram à investigação contra ele. Essa informação consta em mensagens reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e também obtidas pela Folha.
Vorcaro foi preso quando se preparava para embarcar em um avião particular com destino a Malta. Documentos mostram que, em 14 de novembro, ele perguntou ao magistrado se ainda estava “agendado para amanhã em minha casa” ou se “preferia deixar para a próxima semana”, e minutos depois confirmou: “Chegarei às 14h30, ok? Nos encontraremos em minha casa.” Na noite do dia 15, dois dias antes de sua prisão, ele solicitou outro encontro que “pode ser bem rápido”: “Então, às 14h. Devo ir à sua casa ou à minha?” No mesmo dia, perguntou: “Você acha que devo sair na segunda-feira?” No dia seguinte, informou: “Já estou no voo, pousarei às 14h20 e irei direto para lá, está tudo certo?”
As trocas de mensagens sobre esses encontros ocorreram simultaneamente a outras mensagens nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre o andamento do processo contra ele e o Banco Master, expressava sua indignação e afirmava estar tentando resolver pendências para evitar problemas. Essa revelação amplia o conjunto de conversas entre Vorcaro e um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Moraes. Parte desses diálogos consta de um documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o qual o Ministro André Mendonça solicitou um parecer da Procuradoria-Geral da República.
Segundo Mendonça, as conversas demonstram que Vorcaro sabia, “com bastante antecedência”, da decisão que determinaria sua prisão, reforçando a hipótese de que ele “solicitou a intervenção de autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios”. O magistrado acrescenta que identificar o interlocutor é fundamental para determinar quem compunha a suposta rede de influência e monitoramento gerenciada pelo empresário, que poderia incluir indivíduos com jurisdição especial perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não revelam o conteúdo das respostas de Moraes, já que ambos aparentemente usaram imagens de visualização única com capturas de tela do aplicativo de notas. Em outras passagens, Vorcaro pede a um interlocutor que interceda junto a “Andrei e Paulo” — referindo-se a Andrei Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, Procurador-Geral da República — para tentar adiar uma operação: “Se o Andrei conseguir adiar para a semana que vem, porque tem feriado, o banco não vai à falência.”
Mendonça deu ao Ministério Público cinco dias para emitir um parecer. A Folha entrou em contato com Andrei, Gonet e Moraes, que se recusaram a comentar. Em comunicado, o escritório de advocacia da esposa do juiz afirmou que seu departamento de compliance consultou Moraes sobre possíveis impedimentos legais à contratação do Banco Master e concluiu que não havia nenhum impedimento, já que nenhuma ação estava planejada perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
Por Folha de São Paulo





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