Denúncias de assédio eleitoral disparam neste ano; veja o que fazer

O número de denúncias de assédio eleitoral no trabalho registradas pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) disparou e chegou a 809 de janeiro a setembro deste ano. No mesmo período de 2022, ano da última eleição geral, haviam sido contabilizadas 85 denúncias até setembro.

17907168726abc2bc85bb24_1790716872_3x2_md-1-300x200 Denúncias de assédio eleitoral disparam neste ano; veja o que fazer

O crescimento se concentrou nas últimas semanas. Apenas em setembro, foram registradas 545 denúncias, contra 68 no mesmo mês de 2022. O número de casos recebidos pelo MPT no mês é oito vezes maior que o de quatro anos atrás.

O assédio eleitoral é caracterizado por pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de benefício para influenciar o voto, a posição política ou a participação eleitoral do trabalhador.

A prática pode partir de empregadores ou superiores hierárquicos, mas também pode envolver colegas e grupos de trabalhadores. Entre os exemplos estão ameaças de demissão, promessa de benefícios em troca de apoio político, exigência de participação em atos de campanha e monitoramento das manifestações políticas dos funcionários.

Os dados mostram que o volume de denúncias aumentou gradualmente ao longo do ano, mas disparou a partir de agosto. Foram 135 registros naquele mês, ante 9 em agosto de 2022.

Em setembro de 2022, o número também havia crescido em relação aos meses anteriores, mas a maior parte dos registros daquele ano ocorreu no período entre o primeiro e o segundo turno da eleição.

Um levantamento do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho) apontou que o WhatsApp foi o meio digital mais citado para o assédio eleitoral, aparecendo em 51 processos sobre o tema. Facebook e Instagram foram mencionados em 20.

Os pesquisadores consideraram como meios digitais grupos de mensagens, emails, videoconferências, redes sociais e outras plataformas tecnológicas.

Segundo o estudo, o assédio pode combinar diferentes mecanismos. Uma mesma situação, por exemplo, pode envolver pressão psicológica, ameaça econômica e mensagens enviadas por aplicativos.

Entre as situações identificadas estão a criação de grupos para propaganda política, o envio obrigatório de conteúdos, a exigência de publicação de material de campanha em perfis pessoais e o monitoramento das redes sociais dos empregados.

A pesquisa do TST também mostrou que provar a pressão política é uma dificuldade. Entre as decisões que rejeitaram os pedidos de assédio eleitoral, 31 mencionaram a fragilidade das provas (o equivalente a 75,6%).

Os magistrados analisaram, conforme o caso, depoimentos de testemunhas, documentos, registros digitais, áudios, atas notariais, confissões e provas obtidas em investigações de outros órgãos. Mensagens de WhatsApp também aparecem entre os elementos considerados em decisões favoráveis.

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Preparação das urnas eletrônicas para a eleição 2026 na 1ª zona eleitoral, no centro de São Paulo (SP) – Zanone Fraissat – 23.set.26/Folhapress

Nas decisões desfavoráveis, a pesquisa identificou dificuldades especialmente relacionadas à prova oral. Depoimentos contraditórios, vacilantes ou baseados em informações de terceiros tiveram menor força para comprovar a prática.

O levantamento aponta ainda que o caráter pouco ostensivo de algumas condutas e o receio de sofrer consequências no emprego podem dificultar a obtenção de testemunhos consistentes.

Segundo o TST, São Paulo concentra o maior número de processos, com 129. Na sequência estão Paraná, com 109, Rio Grande do Sul, com 77, Rio de Janeiro, com 48, e Santa Catarina, com 46. Os tribunais reúnem 58,8% do total de processos analisados.

O levantamento também identificou diferentes formas de assédio. O chamado terror psicológico, relacionado à criação de narrativas catastróficas sobre possíveis consequências de determinado resultado eleitoral, foi identificado em 81,9% dos casos.

O aumento registrado pelo MPT ocorre em um período de intensificação das campanhas eleitorais. Em agosto, o MPT, o TST e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) lançaram a campanha “No meu voto mando eu”, voltada à prevenção e ao combate ao assédio eleitoral nas eleições de 2026.

As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça Eleitoral e às ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho, inclusive por canais digitais.

O que é assédio eleitoral?

Pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de benefício para influenciar voto, posição política ou participação eleitoral no trabalho é considerado assédio eleitoral.

O assédio pode ocorrer entre chefias, trabalhadores e colegas, presencialmente ou por mensagens, reuniões, WhatsApp, emails e redes corporativas.

Veja exemplos:

  • Ameaçar de demissão devido ao voto
  • Prometer benefício em troca de apoio político do trabalhador ao candidato do empregador
  • Exigir comprovação de voto
  • Obrigar participação em atos ou manifestações políticas
  • Pressionar colegas ou subordinados a apoiar candidaturas
  • Monitorar redes sociais dos trabalhadores para saber suas preferências políticas e ameaçar quanto a isso
  • Dar vantagem a trabalhadores que têm a mesma posição política do empregador

Quais são as principais formas de assédio eleitoral no trabalho?

Assédio psicológico ou terror psicológico: É a mais comum, em 81,9% dos processos, e cria narrativas catastróficas sobre efeitos eleitorais para empresa ou emprego.

Assédio digital ou virtual: Presente em 67,4% das ações, usa WhatsApp (37% da amostra), redes sociais e IA em vídeos que podem gerar desinformação e interferir no voto.

Assédio econômico: Em 61,6% dos casos, usa a dependência financeira como coerção, com ameaças de demissão (48,6%), perda de gerência ou demissões políticas.

Assédio comportamental: Envolve convocação a ações ou apoio a candidatos e pode constranger ou ferir a liberdade política. Aparece em 47,8% dos processos.

Assédio documental e verbal: Usa materiais escritos (61,6%) ou comunicação direta (40,6%) para pressionar o voto no candidato do empregador.

O que acontece se eu sofrer assédio eleitoral?

O trabalhador deve denunciar ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça Eleitoral ou às ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho, inclusive pela internet. No TST, há este formulário

O que eu faço se me sentir pressionado a votar em algum candidato?

É preciso denunciar ao MPT, ao TST ou aos tribunais regionais do trabalho. Na empresa, ninguém pode ameaçar ou pressionar o funcionário por seu voto.

Outra forma de barrar o assédio é fazer denúncia ao RH ou compliance, caso o assédio seja praticado por superior e o trabalhador tenha total confiança que a própria empresa não é favorável à prática.

Denúncia também pode ser feita ao sindicato da categoria. As centrais sindicais têm encampado campanha pelo voto livre.

O que pode acontecer com a empresa que pratica assédio eleitoral?

O empregador que praticar assédio ou permitir a prática pode ter as seguintes punições:

  • Multa
  • Rescisão indireta, ação do empregado contra o empregador amparada pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)
  • Indenização por danos morais
  • Sanções penais, inclusive prisão, por crime eleitoral Por Folha de São Paulo

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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