Demanda por biocombustíveis impulsiona esmagamento de soja nos EUA, enquanto custos da safra 2026/27 sobem em Mato Grosso
A forte demanda da indústria de biocombustíveis nos Estados Unidos tem impulsionado o processamento de soja e sustentado as cotações internacionais da oleaginosa. Ao mesmo tempo, os produtores de Mato Grosso enfrentam um cenário de aumento nos custos de produção para a safra 2026/27, pressionados principalmente pela alta dos fertilizantes, corretivos e operações mecanizadas.
De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, o custeio da próxima safra de soja foi estimado em R$ 4.321,32 por hectare, valor 3,35% superior ao registrado na temporada 2025/26.
Os principais responsáveis pela elevação dos custos foram os fertilizantes e corretivos, que registraram alta de 5,74%, além das operações mecanizadas, cujo aumento chegou a 22,74%. Segundo o instituto, a valorização desses insumos está diretamente relacionada aos conflitos no Oriente Médio, que têm provocado impactos na logística internacional e pressionado o preço do óleo diesel, utilizado nas operações agrícolas.
Diante desse cenário, o Imea avalia que parte dos produtores poderá revisar o pacote tecnológico da próxima safra, especialmente no uso de fertilizantes, como forma de reduzir despesas. Já a diminuição do consumo de diesel apresenta menor margem para ajustes, devido à dependência das operações mecanizadas no campo.
Além dos custos mais elevados, o setor acompanha com atenção os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que pode afetar a produtividade das lavouras e comprometer a rentabilidade da safra 2026/27.
Mercado reage à demanda internacional
No mercado, a valorização da soja na Bolsa de Chicago refletiu diretamente nos preços praticados em Mato Grosso. O indicador do Imea encerrou a semana com média de R$ 115,58 por saca, avanço de 2,50% em relação à semana anterior.
Na CME Group, o contrato corrente da soja registrou alta de 0,91%, acompanhando o aumento da demanda pelo grão norte-americano. Já o indicador Cepea, referência para o porto de Paranaguá, fechou a semana em R$ 140,62 por saca, com valorização de 0,47%, influenciada também pelas incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.
Esmagamento recorde nos Estados Unidos
O destaque do cenário internacional ficou por conta do processamento de soja nos Estados Unidos. Dados da National Oilseed Processors Association (NOPA) mostram que o país esmagou 35,15 milhões de toneladas de soja no primeiro semestre de 2026, volume 13,14% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e o maior da série histórica.
O crescimento é atribuído à expansão da indústria de biocombustíveis, que ampliou sua capacidade de processamento para atender à crescente demanda por óleo de soja utilizado na produção de combustíveis renováveis.
Como consequência, houve maior oferta de farelo de soja. Mesmo assim, o aumento do consumo mundial do produto sustentou os preços internacionais, que fecharam o primeiro semestre com média de US$ 312,78 por tonelada, alta de 6,24% na comparação anual.
Segundo o Imea, enquanto a demanda por óleo de soja permanecer aquecida e as margens da indústria continuarem favoráveis, a tendência é de que o esmagamento norte-americano siga em níveis elevados ao longo de 2026, fator que poderá continuar oferecendo suporte às cotações internacionais da oleaginosa.







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