Delegada cita locais propícios para crimes em MT: Faltam políticas públicas
A delegada Jéssica Assis, do núcleo de feminicídios da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) alertou para locais “propícios” para crimes, principalmente contra mulher, que existem em Mato Grosso e pediu mais políticas públicas e policiamento ostensivo para que essas regiões deixem de se tornar violentas.
A fala da delegada aconteceu na manhã desta terça-feira (09) durante entrevista coletiva sobre o feminicídio de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, que aconteceu no último dia 1º. O autor do crime, Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, foi preso nessa segunda (07). Ela explicava sobre o local onde Josivany estava consumindo drogas com Gabryel – uma casa abandonada –, e sobre onde a mulher foi morta e carbonizada – um terreno baldio. Ambos os lugares ficam na região do Centro Sul de Várzea Grande, próximo ao Pronto-socorro da cidade e do Batalhão da Polícia Militar da cidade.
Para Assis, o feminicídio é um crime extremamente multifatorial, onde não depende apenas dos esforços da polícia no combate, mas de todo o meio, e isso também inclui melhores políticas públicas contra locais abandonados que acabam se tornando perigosos. “Aquela região onde aconteceu esse feminicídio foi propícia porque existe uma casa abandonada que há anos está num processo de inventário e que ela está sendo usada, numa região extremamente central de Várzea Grande, para ser ocupada por pessoas em condição de rua, por usuários de droga”, declara.
“Há uma responsabilização muito grande, uma força-tarefa que o poder público precisa utilizar, para que locais como uma residência numa região central não fique em um processo, se alargando eternamente na Justiça, e propicie esse tipo de ocupação [com usuários de drogas]. Para que uma praça, como local em que a vítima e o suspeito se conheceram, não seja usada como ponto de encontro de drogas”, alerta.
A delegada continua: “É uma região central de Várzea Grande, em que pessoas estão, em plena luz do dia, consumindo drogas juntas. Está faltando policiamento ostensivo, falta um pouco mais de política pública severa para que esse tipo de ambiente não se torne propício para violência contra a mulher e, eventualmente, outros crimes. São muitas medidas que o poder público precisa atuar. O que a gente faz enquanto polícia é muito importante, mas as medidas são muito mais globais do que o mero policiamento”, destaca.
A autoridade policial também fez um desabafo, onde diz que é difícil ser mulher na sociedade atualmente, após dois crimes violentos contra mulheres na Baixada Cuiabana.
“São dois casos que mostram o quanto é difícil ser mulher na sociedade”, lamenta a delegada. “Um pai que mata uma filha porque a filha expressa os seus primeiros desejos amorosos. Ela não foi orientada, ela foi punida por se expressar, por começar a se desenhar como uma mulher perante a sociedade. E esse outro caso [Josivany] mostra também como a rejeição, como não da mulher não vale nada perante esses homens, perante esses agressores que não nos consideram como humanas”, diz a delegada em tom de desabafo.
O caso
O corpo de Josivany foi encontrado carbonizado, em um terreno baldio, no Centro Sul de Várzea Grande, no último dia 1º.
Após os trabalhos de investigação, foi constatado que a mulher foi vítima de feminicídio. O autor do crime, identificado como Gabryel Junio de Almeida Dirceu, de 20 anos, teria matado Josivany após ela recusar ter mantido relações sexuais com ele, após ambos combinarem um programa sexual em troca de drogas. Ele foi preso em flagrante nessa segunda-feira (08).
RDNEWS





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