Cowboy do crossfit: empresário de Cuiabá viraliza treinando trajado
Botina nos pés, chapéu na cabeça e a fivela presa à cintura. Em meio a atletas vestidos com roupas de alta performance, quem chamou a atenção em competições de crossfit pelo Brasil foi um cuiabano que decidiu competir exatamente do jeito que sempre viveu.
A imagem do “cowboy do crossfit” viralizou nas redes sociais, mas por trás da estratégia existe uma história construída muito antes dos likes. Aos 36 anos, o empresário e educador físico Arthur Zanca carrega o esporte na bagagem desde a infância e encontrou, dentro das arenas de crossfit, uma forma de unir identidade, fé e propósito.

“Eu, a vida inteira sempre andei assim. Saio de botina, de calça, sempre fui desse jeito”, conta. Antes de se apaixonar pelo crossfit, Arthur já havia passado pelo karatê, judô, boxe, rugby e até pelos rodeios. Entre os 17 e 18 anos, chegou a montar em touros. “Então, para mim, competir trajado é algo natural. É a minha essência.”
O primeiro contato com o crossfit aconteceu há cerca de 15 anos, durante os treinos de rugby. Na época, ele estava prestes a concluir a graduação em Educação Física e decidiu transformar a paixão pela modalidade em profissão.
A ligação com o esporte vem de família. Arthur é sobrinho do fundador da tradicional Zanca Dojo, referência no karatê em Mato Grosso há mais de três décadas. “Eu venho do esporte desde os cinco anos de idade”, afirma.
Depois de um período vivendo em São Paulo, onde também investiu no ramo fitness, Arthur retornou a Cuiabá e reassumiu integralmente a rede de academias especializada em crossfit que leva seu sobrenome. O retorno ao mercado mato-grossense, no entanto, precisava ser marcado de alguma forma.

Foi então que surgiu a ideia de competir trajado.
A oportunidade apareceu durante uma edição do Spartan Games, competição realizada em Mato Grosso. Arthur decidiu disputar a categoria elite usando bota, fivela e chapéu. A escolha tinha vários significados: reforçar suas origens, reposicionar a marca da academia e transmitir uma mensagem que considera essencial.
“Eu prometi para Deus que, por onde eu passasse, levaria a palavra dele. Então eu queria chamar a atenção para que as pessoas olhassem para mim e também para a mensagem que eu estava carregando”, explica.
Mas havia outro objetivo por trás da iniciativa: resgatar aquilo que, segundo ele, fez o crossfit se tornar tão popular.
“O crossfit nasceu para ser comunidade, amizade, família. Com o tempo, a competitividade foi ficando cada vez maior e algumas pessoas passaram a querer vencer a qualquer custo. Eu gosto de competir, vivo isso desde criança, mas acredito que o esporte não pode adoecer”, afirma.
O que começou como uma estratégia regional tomou proporções inesperadas. Depois da repercussão em Mato Grosso, Arthur repetiu a experiência no Monster Games, em Goiânia, considerado um dos maiores festivais de crossfit da América Latina. A partir dali, o “cowboy do crossfit” ultrapassou as fronteiras do Estado e passou a atrair a atenção de atletas e curiosos de todo o país.
Hoje, além da academia em Cuiabá, localizada na Avenida Ipiranga, próximo ao cemitério da região, Arthur também administra uma unidade em São Paulo e acompanha centenas de alunos por meio de uma plataforma de treinamento online.
Mesmo diante da rotina intensa de empresário, ele mantém o compromisso diário com os treinos. “Eu treino uma hora por dia, mas faço questão de treinar muito bem treinado”, diz.
Nas redes sociais, a mudança também foi proposital. Se antes os conteúdos eram voltados exclusivamente para o universo fitness, agora o empresário compartilha aspectos da própria rotina, da espiritualidade e do estilo de vida que escolheu levar.

Mais do que chamar atenção pelo visual inusitado, Arthur acredita que o chapéu e a botina funcionam como símbolos de algo maior. Mas, ele alerta que o estilo só é usado em competições. Nos treinos diários, ele usa roupas adequadas e tênis com amortecimento para evitar lesões e machucados.
“Se isso servir para mostrar que é possível competir sem perder a essência, valorizar a família, os amigos e colocar Deus em primeiro lugar, então já valeu a pena.”
Por Primeira Página




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