Casa de filho de ex-governador de MT condenado por matar a ex será entregue à mãe da vítima, determina Justiça
O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Hélio Nishiyama, negou, no dia 19 de agosto, um recurso apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, filho do ex-governador Carlos Bezerra. O documento foi disponibilizado nesta quarta-feira (26).
Carlinhos, que foi condenado a 36 anos de prisão, queria anular a penhora de um imóvel, alegando ser local de moradia da família, mas o desembargador que atua na Segunda Câmara de Direito Privado entendeu que a casa está fechada e que foi incorporada ao capital social de uma empresa na declaração do Imposto de Renda. Com isso, faltaram provas e as alegações apresentadas não são verdadeiras.

A pensão será destinada a Denise Jorge Machado, mãe de Thays Machado, ex-mulher de Carlinhos, que ele matou a tiros, em 2023, em Cuiabá, por não aceitar o fim do relacionamento. Ele também matou o então namorado de Thays. Carlinhos está preso desde 2023.
Falta de provas mantém decisão
Na decisão, o desembargador apontou que faltaram provas no recurso de Carlinhos para comprovar que a casa é utilizada como moradia por sua família. Conforme o documento, ele não apresentou contas de consumo, como luz, água e internet, correspondências bancárias ou outros documentos fiscais que comprovassem a residência no imóvel.
Em uma vistoria realizada em 15 de setembro de 2025, os oficiais constataram que o imóvel estava fechado, com cadeado no portão. No local, a equipe tocou o interfone, mas ninguém saiu para atendê-la.
“Longe de comprovar a moradia familiar, evidencia que o próprio agravante não reside no imóvel, razão pela qual lhe incumbia demonstrar que sua genitora ali habita de forma permanente, prova que, como assinalado, não foi produzida”, considerou na decisão.
Condenação
Carlinhos foi condenado no dia 31 de julho, após 13 horas de julgamento e sucessivas tentativas de anular e adiar a sessão pela defesa do filho do ex-governador. Os jurados do Conselho de Sentença acolheram a sustentação do Ministério Público (MPMT) e reconheceram a materialidade e autoria dos crimes atribuídos a Carlos Alberto, condenando-o a 36 anos de prisão em regime fechado.
A sentença foi lida pela juíza Mônica Catarina Perri, que negou o direito ao condenado de recorrer em liberdade. Como já estava em prisão preventiva, ele permaneceu preso para o cumprimento definitivo da pena no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
O crime
As investigações apontaram que, na manhã de 18 de janeiro de 2023, Carlos Alberto passou a seguir o veículo ocupado por Thays e Willian. Conforme denúncia do Ministério Público, ele acompanhou o trajeto do casal até um edifício residencial, onde a mãe de Thays morava, aguardando o momento em que os dois desceram do carro.
A acusação sustentou que a ação foi planejada e executada de forma a impedir qualquer possibilidade de reação das vítimas. De acordo com o Ministério Público, o empresário efetuou diversos disparos contra o casal em plena luz do dia, em área urbana.
Thays Machado e Willian Cesar Moreno morreram no local. Câmeras de segurança registraram parte da dinâmica do crime e integraram o conjunto de provas reunidas durante a investigação.
Após os disparos, Carlos Alberto deixou o local e fugiu. Horas depois, foi localizado e preso por policiais civis em uma propriedade da família, no município de Campo Verde.
Por Primeira Página




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