Brasileiros que deixaram o Brasil após a reeleição de Lula em busca de uma vida melhor no Paraguai agora enfrentam crise bancária e incerteza sobre o próprio dinheiro
Brasileiros que apostaram no país vizinho como alternativa econômica acompanham apreensivos a crise do Ueno Bank
A promessa de uma vida melhor, menos impostos e novas oportunidades do outro lado da fronteira parecia representar o começo de uma nova história para muitos brasileiros que passaram a olhar para o Paraguai como alternativa ao Brasil após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entretanto, o cenário ganhou um capítulo inesperado. Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai anunciou a abertura de um processo de resolução do Ueno Bank, instituição financeira que atende milhões de clientes e que agora enfrenta uma grave crise de solvência.
A notícia acendeu um sinal de alerta entre correntistas e investidores, inclusive brasileiros que mantêm relações financeiras com o país vizinho.
O sonho de recomeçar do outro lado da fronteira
Para parte dos brasileiros, a mudança representava mais do que uma simples transferência de endereço. Era uma tentativa de encontrar um ambiente econômico considerado mais favorável, com menor carga tributária, oportunidades empresariais e perspectivas diferentes das encontradas no Brasil.
O movimento ganhou força nas redes sociais e nos escritórios especializados em imigração e internacionalização de empresas.
Mas, enquanto muitos planejavam construir uma nova vida, uma crise financeira inesperada começou a colocar em xeque a confiança no sistema bancário paraguaio.
Banco entra em processo de resolução
O Ueno Bank foi colocado sob administração do Banco Central do Paraguai depois que problemas relacionados à sua solvência foram identificados pela autoridade monetária.
A decisão provocou a suspensão de serviços bancários, incluindo o acesso ao aplicativo e a utilização de cartões, deixando clientes apreensivos sobre quando poderão movimentar seus recursos.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, foram identificadas fragilidades relacionadas à concessão de empréstimos, inclusive operações envolvendo empresas ligadas ao grupo controlador.
O episódio também provocou consequências políticas. O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia a pedido do presidente Santiago Peña.
Brasileiros também precisam ficar atentos
Para brasileiros que abriram contas, transferiram economias ou mantêm investimentos no Paraguai, a situação exige atenção.
O Fundo de Garantia de Depósitos paraguaio prevê proteção dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Em 3 de novembro, o Banco Central anunciou uma primeira etapa de pagamentos de até 10 milhões de guaranis por depositante.
Isso não significa, entretanto, que todos os valores estarão imediatamente disponíveis ou que eventuais saldos superiores serão recuperados integralmente.
O procedimento de resolução ainda depende de apuração patrimonial e de novas orientações das autoridades.
Uma ironia para quem procurava segurança
O episódio produz uma ironia difícil de ignorar: brasileiros que passaram a enxergar o Paraguai como alternativa econômica ao Brasil agora acompanham uma crise que ameaça a tranquilidade de clientes de uma das instituições financeiras do país.
A mudança de país, por si só, não garante segurança financeira. Impostos menores, oportunidades de negócios e condições econômicas diferentes também precisam ser avaliados ao lado dos riscos institucionais e financeiros.
Para quem atravessou a fronteira acreditando estar deixando para trás as incertezas brasileiras, a crise do Ueno Bank representa um lembrete de que nenhum país está livre de problemas.
O sonho de uma vida melhor continua sendo o objetivo de milhares de brasileiros. Mas, para alguns que escolheram o Paraguai, a nova realidade trouxe uma preocupação que talvez não estivesse nos planos: a segurança do dinheiro investido no país escolhido para recomeçar.
Por RBT News




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