Até 4,5 milhões de trabalhadores deixarão de receber abono salarial; entenda
Entre 2026 e 2030, até 4,56 milhões de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial devido a mudanças nas regras para concessão do benefício, como avalia o Ministério do Trabalho.
Na prática, isso reduz progressivamente o público elegível até que, por volta de 2035, apenas trabalhadores com renda de até 1,5 salário mínimo permaneçam no programa.

Em fevereiro deste ano, o governo federal iniciou o pagamento do abono do PIS/Pasep já considerando o novo conjunto de regras.
O número de trabalhadores que perderá o benefício deve subir gradualmente em cinco anos, como consta no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), enviado ao Congresso Nacional neste mês pela equipe econômica.
Até o ano passado, o benefício foi pago no valor de até um salário mínimo para trabalhadores que receberam até dois salários mínimos no ano-base do abono ou que trabalharam com carteira assinada por ao menos 30 dias no ano-base.
ABONO SALARIAL: MUDANÇAS
Como era
Pago de até 1 salário mínimo para quem recebia até 2 salários mínimos no ano-base e trabalhou ao menos 30 dias com carteira assinada.
O que mudou
Trabalhador deve receber até 1,98 salário mínimo. Mantém a correção pela inflação, mas o salário mínimo pode ter aumento real.
Impacto
O público com direito ao benefício será reduzido aos poucos.
No futuro
Até cerca de 2035, apenas quem ganha até 1,5 salário mínimo deverá continuar no programa.
Já neste ano, o teto de renda mensal para ter direito ao benefício fica limitado a R$ 2.640. Com isso, 559 mil trabalhadores devem deixar de ter acesso ao benefício em 2026.
ABONO SALARIAL: QUEM TEM DIREITO EM 2026
Renda
Ter recebido, em média, até 2 salários mínimos por mês no ano-base.
Tempo de trabalho
Ter trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias.
Cadastro
Estar inscrito no PIS/Pasep há no mínimo 5 anos.
Dados
Ter as informações corretamente enviadas pelo empregador na Rais ou eSocial.
Fonte: Ministério do Trabalho
Conforme o Ministério do Trabalho, a mudança gradual permitirá que o mercado de trabalho e os trabalhadores se adaptem à nova realidade, focando o benefício na parcela da população com menor renda e assegurando que o auxílio cumpra seu papel social de forma eficiente e equilibrada.
ABONO SALARIAL: PROJEÇÕES FUTURAS
Aumento de gastos
Com a retirada dos trabalhadores do auxílio nos próximos anos, há previsão de economia, mas o governo estima que os valores pagos continuarão crescendo por conta do aumento no número de pessoas com carteira assinada.
A expectativa é de que o número de trabalhadores celetistas avance de 59,86 milhões em 2026 para 67 milhões de trabalhadores em 2030.
Então, o gasto anual com o abono salarial deve saltar de R$ 34,36 bilhões em 2026 para R$ 39,27 bilhões em 2030, segundo as projeções do Ministério do Trabalho.
Por conta do alto volume de gastos, o abono salarial é frequentemente citado por analistas como um benefício que deve ser aprimorado, ou até mesmo encerrado, pelo fato de não estar focado necessariamente na população mais pobre.
Por Primeira Página




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