Após dois anos em abrigo nos Estados Unidos, Justiça consegue trazer irmãos que perderam mãe para MT
Após mais de dois anos vivendo em um abrigo dos Estados Unidos, dois irmãos mato-grossenses, de 11 e 5 anos, foram autorizados a retornar para Mato Grosso e viver sob a responsabilidade de uma tia, em Juruena (MT). Eles perderam a mãe em Salem, Massachusetts, em abril de 2024, e ficaram sob acolhimento no país até que uma força-tarefa envolvendo autoridades brasileiras e norte-americanas conseguisse garantir o retorno para Mato Grosso. Eles chegam à cidade mato-grossense neste sábado (8).
A mãe das crianças morreu aos 33 anos e foram encaminhados para um serviço de proteção à infância. A tia materna, que mora em Juruena, procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT), em junho de 2024, para conseguir a guarda e trazer os sobrinhos de volta ao Brasil. A Justiça deu a guarda provisória a ela, que ficará sob responsabilidade dos menores, conforme a decisão da Comarca de Cotriguaçu.

As crianças chegaram a Guarulhos (SP), onde foram recebidas pela tia, e chegaram em Cuiabá nessa sexta-feira (7).
Tentativas de retorno
O processo, no entanto, foi marcado por uma série de obstáculos. As crianças chegaram a preparar as malas três vezes para voltar ao país, mas problemas burocráticos impediram as viagens.
Em 2025, a Justiça de Massachusetts autorizou o repatriamento após um estudo familiar e psicossocial confirmar que a família materna tinha condições de receber os irmãos.

Ainda assim, faltava um documento fundamental: a guarda reconhecida pela Justiça brasileira. Em abril deste ano, a Defensoria informou ao Judiciário que a autorização para o retorno já existia, mas que a ausência do termo brasileiro continuava impedindo a viagem.
No dia seguinte, a Justiça concedeu a guarda unilateral provisória à tia. Com a documentação regularizada, o retorno finalmente foi organizado.
Durante os mais de dois anos de separação, os irmãos mantiveram contato com a tia por chamadas de vídeo. Agora, poderão finalmente viver novamente ao lado da família.
Segundo a defensora pública Natane Garcia Ferreira, o caso exigiu a atuação conjunta de órgãos brasileiros e norte-americanos e foi marcado pela persistência para superar cada obstáculo.
O processo de guarda ainda segue em andamento, mas a etapa mais urgente foi concluída: os irmãos deixaram o acolhimento nos Estados Unidos e retornaram ao Brasil para viver com a própria família.
Por Primeira Página




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