Após ação da Polícia Federal, Max Russi defende abertura de CPI dos Consignados em Mato Grosso
A deflagração da Operação Fugazi pela PF (Polícia Federal) hoje (15) criou um debate para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT). O presidente, deputado estadual Max Russi (Podemos), disse que a ação policial contra fraudes em empréstimos e cartões consignados de servidores estaduais torna a investigação parlamentar uma obrigação do Legislativo.
A Operação Fugazi cumpre 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, todos expedidos pela Justiça Federal em Mato Grosso.

A investigação apura a atuação de um grupo econômico acusado de mascarar empréstimos consignados com juros abusivos sob a fachada de cartões de crédito consignados, dificultando a quitação das dívidas de servidores públicos, aposentados e pensionistas. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens dos investigados.
Anteriormente, o presidente da ALMT avaliava que o período eleitoral de 2026 prejudicaria o andamento de uma comissão de inquérito. No entanto, o fato de as ordens judiciais partirem de Mato Grosso e mirarem um setor que afeta diretamente os servidores estaduais mudou o cenário. Atualmente, o requerimento para a instalação da CPI conta com seis das nove assinaturas necessárias.
“Havendo uma operação da Polícia Federal e havendo agentes públicos envolvidos no Estado de Mato Grosso, com certeza fortalece muito o debate. Tenho que refazer a minha fala anterior, pois eu achava que, neste momento eleitoral, uma CPI poderia ter dificuldades de encaminhamento. Se isso se concretizar [o envolvimento local], a Assembleia tem por obrigação aprofundar essa investigação“, declarou Max Russi.
Histórico de irregularidades
O deputado relembrou que o parlamento estadual já tentou regulamentar a concessão desses créditos para proteger a folha de pagamento dos servidores, mas a lei aprovada acabou invalidada na Justiça.
“Nós aprovamos um projeto de lei baseado em discussões anteriores, mas a nossa proposta foi derrubada na Justiça. Se aquele projeto estivesse valendo, não teríamos tido esses problemas que enfrentamos com os consignados agora. Infelizmente, foi derrubado, abriu-se a porteira e aconteceu o que aconteceu em relação aos nossos servidores“, concluiu o presidente.
A PF também apura a prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro por parte das empresas envolvidas no esquema. A Assembleia Legislativa monitora os desdobramentos das buscas para dar andamento ao recolhimento de assinaturas para a abertura da comissão.
Entenda o caso
A operação do cartão consignado é alvo de questionamentos na Justiça por sete sindicatos de servidores públicos de Mato Grosso. As entidades são representadas pelo escritório AFG & Taques, que tem como um dos sócios o ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques, que é pré-candidato ao Senado.
De acordo com os argumentos da banca jurídica, mais de 15 mil pessoas, o que equivale a 10% do funcionalismo estadual, estimado em 100 mil ativos e aposentados, relataram problemas, envolvendo o endividamento e o comprometimento de parcelas do salário.
A investigação, que corre em segredo de Justiça no Superior Tribunal de Justiça (STJ), apura um suposto favorecimento ao Banco Master no credenciamento para o fornecimento do cartão-benefício consignado (Credcesta) aos servidores públicos de Mato Grosso.
O escritório sustenta que Mato Grosso autorizou diversas outras empresas e fintechs sem autorização do BC a operar o consignado no estado, que depois tiveram suas carteiras de crédito absorvidas pelo Master. Essa tese chegou a ser abordada por Pedro Taques em seu depoimento à CPI do Crime Organizado em março deste ano.
Por Repórter MT




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