Voltando de Mato Grosso para casa, trabalhador é preso por engano em Goiânia por troca de nomes
Uma sequência de falhas no sistema judicial levou à prisão injusta de um trabalhador que sequer tinha ligação com o crime investigado. O auxiliar de montagem Leonardo Cerqueira de Almeida foi detido após um erro grave na emissão de um mandado de prisão, que trouxe seus dados no lugar dos do verdadeiro suspeito.
A reviravolta no caso começou quando um colega de cela, que acreditou na inocência de Leonardo, decidiu procurar ajuda. Ele entrou em contato com a advogada Déborah Carolina Silva, de quem já era cliente, e forneceu o telefone da mãe do auxiliar, permitindo que a defesa tivesse acesso às informações corretas e compreendesse a situação.
Déborah tomou conhecimento do caso no dia 10 de março e identificou inconsistências no mandado expedido pela Justiça de Minas Gerais. Apesar do nome de Leonardo constar no documento, dados como o nome da mãe e o CPF não batiam com os do verdadeiro autor do crime. Para a advogada, o erro foi “inadmissível”. Segundo ela, a falha ocorreu no momento da emissão do mandado, quando o documento foi registrado com o nome errado.
Leonardo foi preso em Goiânia, na rodoviária da capital, por policiais militares, enquanto retornava de Porto Alegre do Norte (MT), onde trabalhava, para sua casa em Teodoro Sampaio (SP). Ele permaneceu por 14 dias detido na penitenciária de Aparecida de Goiânia.
Desde o início, Leonardo afirmou ser inocente e alertou os policiais sobre o equívoco. Ainda assim, segundo a advogada, ele não teve direito de entrar em contato com a família. Durante a audiência de custódia, acompanhado por um defensor público, o erro também não foi identificado. A Defensoria Pública de Goiás informou que os dados presentes no mandado coincidiam com os fornecidos por Leonardo e que eventuais inconsistências só poderiam ser verificadas pela Justiça de Minas Gerais.
Mesmo afirmando nunca ter estado em Minas Gerais, onde o crime ocorreu, Leonardo não foi levado a sério. Na prisão, chegou a ser alvo de zombarias de outros detentos, que desacreditaram sua versão. Apenas o colega de cela que acionou a advogada acreditou em sua inocência.
A mãe de Leonardo, inicialmente, pensou se tratar de um golpe ao ser procurada. A confirmação só veio após a própria advogada entrar em contato e enviar uma foto do processo, que foi reconhecida pela família. Com isso, o erro foi comunicado à Justiça de Minas Gerais.
A juíza Lorena Frederico Soares, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, reconheceu a falha e determinou a imediata soltura. Na decisão, destacou a existência de “erro material na expedição do mandado de prisão” e classificou a situação como um “evidente constrangimento ilegal”.
Em nota, a Defensoria Pública de Goiás afirmou que atuou dentro dos limites legais durante a audiência de custódia. Já a Polícia Penal informou que segue protocolos baseados nos dados fornecidos nos mandados judiciais e que eventuais erros devem ser corrigidos pelos órgãos competentes. A Polícia Militar também declarou que cumpriu o mandado conforme as informações oficiais registradas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Créditos: g1 GO
Autoria: Portal RBT News




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