No fim do dia, o republicano foi além e afirmou que os EUA já venceram a guerra contra o Irã. “Nós vencemos. Deixe eu dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas nós ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado”, disse.
A nova declaração do republicano contradiz as próprias diretrizes de seu governo, ainda que exista pouca clareza sobre seus objetivos e quando a Casa Branca irá considerá-los concluídos.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, afirmou que os objetivos de Washington no conflito continuam sendo impedir que o Irã construa uma arma nuclear, destruir as capacidades produtivas de mísseis balíticos, destruir a Marinha iraniana e enfraquecer os grupos aliados de Teerã no Oriente Médio.
Trump também tem dito, e foi reforçado por Leavitt, que a meta é obrigar o regime iraniano a uma “rendição incondicional”, novamente sem explicar o que isso significa na prática. Ao não esclarecer quando esses objetivos estariam concluídos, Trump deixa em aberto e nas suas mãos a capacidade de declarar o fim da guerra, ou ao menos a participação americana nela.
Pezeshkian, por sua vez, pediu em uma postagem no X “garantias internacionais firmes contra futuras agressões”. É a primeira vez que algum tipo de termo é colocado pelo presidente iraniano para o encerramento da guerra.
O problema para Pezeshkian é duplo. Primeiro, quem atacou não está interessado em termos que não sejam, nas palavras de Trump, rendição incondicional. Daí que indenizações e salvaguardas futuras parecem fora de propósito.
Um ponto que o iraniano cita indiretamente, os tais direitos legítimos, remete ao programa nuclear dos aiatolás —evitar que Teerã possa ter a bomba, algo que tecnicamente é possível mas não estava no horizonte imediato, é um dos aparentes “casus belli” tanto de Trump quanto do premiê Binyamin Netanyahu.
Logo, exceto que abra mão do programa e dos 441 kg de urânio enriquecido perto do nível necessário para armamentos, e suficiente para até 15 bombas menos eficazes, o Irã não deverá tirar nada dos agressores.
Trump alterna ameaças de obliteração do regime com a promessa de uma guerra mais curta, visando apaziguar um pouco o mercado de petróleo em choque com o fechamento na prática do estreito por onde passa um quinto da produção mundial da commodity.
Mas coube, nesta quarta, ao Estado judeu dar uma previsão mais realista sobre o conflito. Segundo o ministro Israel Katz, da Defesa, a guerra continuará “sem qualquer limite de tempo”.
O segundo problema, tão grande ou maior, é que Pezeshkian tem se isolado na chefia do país. Ele integrou o triunvirato que comandou a sucessão do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, mas à sombra de uma figura muito mais poderosa: Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança do país.
Ligado à Guarda Revolucionária, verdadeiro poder no Irã hoje, Larijani manobrou para ver o filho de Khamenei, Mojtaba, eleito por um colegiado de clérigos de forma rápida e aparentemente bastante opaca. O novo líder, que também é visto como da ala militar, não apareceu publicamente até aqui porque segundo o governo foi ferido ao lado do pai.
Pezeshkian ficou ainda mais escanteado quando, no sábado (8), véspera do anúncio da eleição de Mojtaba, pediu desculpas pelos ataques retaliatórios das forças iranianas contra países árabes com bases americanas no golfo Pérsico.
Ele buscava uma abertura diplomática, mas foi rechaçado pelos próprios militares, que continuaram a lançar mísseis e drones por toda a região. Nesta quarta, antes da postagem de Pezeshkian no X, a Guarda Revolucionária disse em nota que lutará “até a sombra a guerra ser levantada” sobre o Irã.
Por Folha de São Paulo
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