Projeto prevê uso de Inteligência Artificial para detectar risco de suicídio nas redes sociais em Mato Grosso

52044 Projeto prevê uso de Inteligência Artificial para detectar risco de suicídio nas redes sociais em Mato Grosso
Foto: Reprodução

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou, em segunda votação, na quarta-feira (11), o Projeto de Lei nº 521/2025, que atualiza a política estadual de diagnóstico e tratamento da depressão em Mato Grosso, incluindo a possibilidade de desenvolver e utilizar tecnologias de inteligência artificial para identificar potencial risco de suicídio nas redes sociais, especialmente entre crianças e adolescentes.

A proposta é de autoria do primeiro-secretário da Assembleia, o deputado estadual Dr. João (MDB), e altera a Lei nº 11.203/2020, ampliando as estratégias de enfrentamento aos transtornos mentais na rede pública de saúde.

Votada durante a 6ª Sessão Ordinária, o projeto segue agora para sanção do governador Mauro Mendes (União).

Como justificativa, o parlamentar afirmou que o Estado precisa reagir ao avanço dos transtornos emocionais com medidas modernas e eficazes.

“A saúde mental virou um dos grandes desafios do nosso tempo. A gente não pode fechar os olhos enquanto jovens sofrem em silêncio e, muitas vezes, não encontram apoio a tempo”, disse.

O projeto também prevê incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias e métodos para detecção precoce de casos de depressão e de risco de suicídio, integrando ferramentas digitais a plataformas on-line.

Para o deputado, a atualização da lei cria caminhos para ampliar a capacidade de identificar sinais de risco antes que a crise se agrave.

“A intervenção precoce pode salvar vidas. Se a tecnologia nos permite enxergar sinais que passam despercebidos, nós temos a obrigação de usar isso a favor das pessoas”, afirmou.

Ainda para justificar a proposta, Dr. João citou estudo realizado por pesquisadores da Universidade Harvard e do Cidacs/Fiocruz Bahia, publicado na The Lancet Regional Health – Americas, que aponta crescimento anual de 6% na taxa de suicídio entre jovens no Brasil, entre 2011 e 2022. As notificações por autolesão na faixa etária de 10 a 24 anos teriam aumentado 29% ao ano no mesmo período.

O parlamentar defendeu que a inteligência artificial pode atuar como aliada na triagem e no monitoramento, sem substituir o atendimento humano.

“Não é para trocar gente por máquina. É para dar mais ferramentas para a rede de saúde agir rápido, acolher e encaminhar quem precisa de ajuda”, explicou.

Segundo ele, a intenção é fortalecer uma política pública alinhada à realidade atual, em que grande parte dos alertas surge no ambiente digital.

“Muitas vezes, o pedido de socorro está em um post, em uma frase ou em uma mudança de comportamento nas redes. A tecnologia pode ajudar a identificar esse padrão e permitir que a ajuda chegue antes do pior”, concluiu.

GC Notícias

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